domingo, 13 de outubro de 2024

SR NILO, O JK DE ALVINÓPOLIS

Essa entrevista foi publicada no site ALVINEWS, que antes do FACE e do INSTAGRAM, era o grande portal de conteúdos de Alvinópolis. Mas vamos à entrevista. Desta vez, o Alvinews teve o prazer de entrevistar um dos maiores políticos que passaram pela nossa querida Alvinópolis. Senhor Nilo Gomes, O JK de Alvinópolis. Nesta entrevista, ele resgata um pouco da história de Alvinópolis da década de 60, em plena ditadura. Exemplo de amor à nossa terra, Sr. Nilo ficou marcado por sua ideologia de querer uma Alvinópolis melhor. Desde já, ficam aqui os nossos agradecimentos ao grande exemplo que o Sr. Nilo deixou.

1 – Primeiramente gostaríamos de saber qual é a sua origem: onde nasceu, o nome de seus pais e irmãos?

Nasci em Alvinópolis em 15 de Agosto de l926, na rua do Fogo, na casa em frente ao grupo escolar Melo Viana. Sou filho de Pedro Gomes Domingues e Ignácia Vieira Marques, ambos nascidos em São Domingos do Prata.Tive os irmãos Dimas Gomes Vieira Marques [falecido], Stela Gomes Vieira Marques [falecida] e Maria Marques Fernandes.Meu pai PEDRO GOMES DOMINGUES.Sr. Pedro e Dona Ignácia - Pais do Nilo – cirurgião dentista, com curso de provimento feito em Belo Horizonte, trabalhou em Alvinópolis a maior parte da sua vida. De rara inteligência e habilidade manual, ele próprio produzia as próteses dentárias que cada caso exigia, como: coroas, jaquetas, incrustações, dentes e obturações. Possuía os equipamentos para a fundição, estampagem e prensagem de ouro e de outros metais como: maçaricos à álcool, prensas diversas,matrizes para dentes, muflas e autoclave, para fundir pontes e dentaduras. Ele foi um grande amigo de Alvinópolis e de seus pares, muito educado e gozava de excelente conceito na comunidade.Minha mãe IGNÁCIA VIEIRA MARQUES, era filha de índia da tribo “BOTOCUDOS”, Professora formada na Escola Normal de São Domingos do Prata, lecionou em Alvinópolis a maior parte da sua vida , completando ali, 36 anos de magistério. Ela foi uma professora muito competente, muito inteligente, além do nosso idioma ela falava fluentemente o Francês e o Castelhano.

2 – O seu pai prestou grandes serviços na área de odontologia. Porque não seguiu a profissão do pai?

Não me interessei por seguir a carreira do meu pai, porém aprendi muito com seu trabalho ao observá-lo.

3 – Porque os seus filhos, com um exemplo tão positivo na política, não seguiram por esse caminho?

Jamais incentivei meus filhos a seguir a carreira política e hoje vejo que qualquer um deles tem competência e aptidão para ocupar cargo eletivo.

4 – Como era a vida social de Alvinópolis naquela época? Quais os locais mais freqüentados pela sociedade?

A cidade tinha vida social, com cinemas falados, clubes recreativos e de esportes e teatro, além das festas religiosas que sempre existiram. Quero fazer aqui uma menção especial ao inesquecível padre JAIRO BOUSSADA,Padre Jairo e os atores da semana santa. que encenaram em Alvinópolis uma obra teatral sobre a Paixão de Cristo na Semana Santa, com figurantes vestidos com roupas da época. Foi uma obra que muito me emocionou e a todos que a presenciaram, sendo inesquecível..

5 –Quando jovem, o Senhor sempre foi apaixonado pelo esporte. Saltava corda, jogava futebol, era um excelente jogador de vôlei, um exímio atirador e amante do esporte. De onde veio tanta habilidade, onde praticava os esportes e quais eram as condições naquela época?

Sempre gostei de esportes, como toda criança, também fui amigo das peladas. Fiz o ginásio em Ponte Nova e depois em Ubá.Lá me interessei ainda mais pelo esporte. Ali fiz o Tiro de Guerra (serviço militar) e pude praticar esportes tais como vôlei , basquete, futebol, corridas de percurso e de salto em altura, lançamentos de peso de disco e de dardo e natação.

6 – Além de desportista, em seu governo o esporte também foi beneficiado. Como era o campo do Alvinopolense e quais melhorias foram feitas?

O campo do alvinopolense era bastante inclinado, colocando-se uma bola no chão, ela descia sozinha. Eu e o chefe dos correios na época, Sr. José Icaro, tivemos a idéia de aplainar o campo. Conseguimos com o prefeito Dr. Mario França a motoniveladora, mão de obra e combustíveis, inclusive para um trator que Zé Icaro conseguiu em Rio Piracicaba. Aproveitamos e fizemos o aumento do campo na largura e no comprimento. O campo ficou muito bom.

7 – O Senhor foi empresário do ramo de eletro-eletrônicos. Onde ficavam as instalações dessa empresa e o que era comercializado?

Tive oficina de máquinas de costura para reformas e pinturas e oficinas de eletrodomésticos. Aprendi a fotografar e eu mesmo fazia as revelações e ampliações. Montei uma loja de eletrodomésticos, máquinas, rádios, sendo representante da Singer e da RCA Victor.A minha loja era na praça Bias Fortes.Loja Singer do Sr. Nilo na pracinha do Gaspar

8 – É sabido que o Senhor é muito habilidoso nas áreas de engenharia, mecânica, hidráulica, elétrica, eletrônica e diversas outras áreas. Como adquiriu tanto conhecimento, pois naquela época era difícil o acesso à informação? Deus me deu o dom de ver, ouvir, sentir e assimilar quaisquer assuntos nas áreas de engenharia, com muita facilidade de análise e soluções imediatas. Fui premiado com o bom conceito e definição sobre geometria espacial.

9 - Como o Senhor foi despertado para a vida política?

Eu não fui despertado pela vida política, três ilustres homens de Alvinópolis me colocaram na vida administrativa do município, Dr. Mario França, Dr. Frederico M Álvares da Silva e meu amigo Joventino Viana Filho.

10 - Quais os políticos foram a sua referência?

Dr. Mario França, pela sua honradez e honestidade e o Dr Frederico M. Álvares da Silva, Dr. Fritz, com os mesmos requisitos.

11 - Quem o Senhor citaria como grandes políticos Alvinopolenses?

São tantas as pessoas que merecem a menção de grandes políticos de Alvinópolis que eu cometeria erros em citar nomes

12 - Sabemos que o Senhor é uma pessoa de mente prática, de grande facilidade em absorver e compreender informações técnicas. Foi influenciado por alguém? Alguma grande inspiração?

Com muito orgulho e sem modéstias, herdei parte da inteligência dos meus pais. Ainda garotinho, iniciando as saídas furtivas da casa dos meus pais, saía pelos fundos da casa onde podia me comunicar com os vizinhos. Passava pelas oficinas dos italianos, Prímola, Catizanni, Papa, Petinato e Martino. Eles me despertaram o interesse pela mecânica, principalmente o Domingos Martino

13 - Qual foi a sua trajetória até assumir o posto máximo de Prefeito em Alvinópolis?

O meu primeiro trabalho foi de componidor (montagem de textos, letra por letra) e impressor na tipografia do meu cunhado, José Faustino Gomes. Estudei no Grupo Escolar Bias Fortes, no Colégio Dom Helvécio em Ponte Nova, no ginásio municipal e no Colégio São José, ambos em Ubá.Fiz o curso científico no Colégio Anchieta em Belo Horizonte, onde estudei um pouco de física com um professor extraordinário, chamado Mario de Oliveira, estatura baixa, cabeça grande, porém um portento em Física . Fui chefe de escritório do DNEF em Alvinópolis para a ligação ferroviária Dom Silvério à Nova Era. Ali aprendi a fazer levantamentos topográficos com o meu amigo Samuel Borges, aprendendo a ler projetos de terraplenagem e fazer cálculos de volumes de terra, além de me familiarizar com projetos arquitetônicos e estruturais. Fiz um curso de eletrotécnica pela National School. Estudei bastante e comecei a fazer reparos em aparelhos elétricos e eletrônicos. Em seguida, abri uma loja do ramo, como venda de rádios, máquinas de costura, representando a Singer, e de TV representando a RCA Victor. Fiz os primeiros testes de televisão na cidade comprando motor-gerador, antenas e cabos, tudo por minha conta. A prefeitura se negou a dar ajuda para instalar os repetidores.

14 – Quando foi eleito prefeito em 1963 pelo PTB, com quem disputou o pleito e como foi a unificação das correntes políticas durante seu governo, que acabou com a indicação de um candidato único para ser seu sucessor.

Disputei a prefeitura pelo PTB e PR, com o senhor Djalma de Morais que era da UDN.

A indicação de um candidato único se deu em virtude de conseguir unificar e apaziguar as correntes políticas, que foram convencidas que o município precisava se desenvolver e que dependia do legislativo e executivo, o que ocorreu após entendimentos. Conseguimos realizar grandes obras, o que favoreceu a candidatura única do Marinho de Azevedo Cota, como candidato único e em seguida, eleito.

15 – Como foi a participação de sua esposa D. Terezinha durante sua campanha e ao longo de sua administração?

A minha esposa Terezinha Hosken Vieira teve papel muito importante na minha campanha política, antes, e durante a minha administração, me apoiando em todos os momentos.

16 - Sr. Nilo, como foi ser prefeito em plena ditadura, nos anos de 1963 a 1967. Quais as maiores dificuldades enfrentadas pela sua administração? Os militares tinham receptividade aos projetos?

Não tive dificuldades na minha administração. Eles tomaram conhecimento da minha lisura e ética com o cargo.

17 - Como era feita a campanha política daqueles tempos?

A campanha política era feita por grupos locais e o Diretório se instalava em uma casa, onde haviam reuniões todas as noites. A diretoria traçava os planos de ação nas diversas zonas da cidade e também nos distritos e zona rural, com comícios, sistema de som, etc.

18 - Como era a participação da Câmara? Quantos vereadores eram?

A participação da câmara na minha gestão, nos dois primeiros anos foi difícil, devido à oposição. A minha presença sistemática nas reuniões, tornou essa convivência mais fácil. Assim consegui apoio e os dois últimos anos foram excepcionais, com diálogo e entendimentos. Nove vereadores ocupavam o legislativo. Nove vereadores ocupavam o legislativo e eram: Antônio Viçoso Ferreira, Antônio Valentim Paschoal, Manoel Ferreira Prímola, Darcy Gomes de Carvalho, José de Assis, Marcos Edwiges Viana, Expedito Emídio Martins, Nicolau Mancuzo e José Rodrigues de Oliveira.

19 - Hoje notamos uma carência enorme de Lideres em Alvinópolis , os poucos que surgem ,se perdem pelo meio do caminho . Como era no seu tempo?

Liderança é um assunto complicado; no passado elas eram ideológicas por tudo e por todos, naturais para o bom convívio da comunidade e da sociedade. Hoje ela se perde no meio de interesses próprios e a maioria dos jovens percebe e se afastam, por que não existe a essência principal que é a ideologia.

20- Qual o caminho seria mais interessante seguir para um jovem que está iniciando sua carreira política?

Em primeiro lugar ele deve se capacitar para isto, estudar bastante, estar bastante ligado aos órgãos representativos das classes, do povo, do comércio e da comunidade em geral.

21 - Dentre as suas principais obras, quais o Senhor destacaria? Quais obras lhe trouxeram maior satisfação em realizar.

Todas elas foram realizadas com muito amor e carinho, por se tratar de meu esforço pessoal e em benefício da minha querida terra natal, cito aqui algumas delas:

- Construção de uma fábrica de manilhas de concreto com os diâmetros de: 0,30m, 0,60m, 0,80m e 2,00m.

- Recuperação de um trator de esteira e de uma moto-niveladora que já estavam no ferro velho.

- Desapropriação de duas casas para a abertura da rua D. Naná Kubstchek.

- Abertura da rua que recebeu o nome de D. Naná Kubischek "in memorian", a ex-esposa do Dr.Julio Soares diretor presidente da Cemig, o que muito ajudou na instalação da Cemig, ficando o município desonerado do pagamento de 12% do custo do projeto.

- Instalação da Cemig no governo do Dr. Israel Pinheiro com a participação do deputado José Santana de Vasconcelos.

- Construção do prédio do fórum pelo governo do estado, Dr. José de Magalhães Pinto, obra que levou o seu nome, realizada a pedido dos senhores: Djalma de Morais, Expedito Emídio Martins,José Rodrigues de Oliveira, Nicoláu Mancuzo e Dr. Oscar Lobo Pereira.

- Instalação do Centro AgroPecuário de Alvinópolis através do Dr. Edgard de Vasconcelos e o sr. Gerônimo de Vasconcelos Barros.

- Construção de duas escolas rurais e respectivos convênios com o estado.

- Rebaixamento da tubulação de água potável atrás e ao lado do bar do Mundão para a abertura da rua Dr. José de Magalhães Pinto.

- Locação , escavação e aterro no trecho da praça São Sebastião até a praça Aristides Mascarenhas.

- Construção das ruas que iriam interligar a parte alta da cidade e a parte baixa.

- Calçamento poliédrico na cidade e os meio-fios abrangendo a parte de baixo do Gaspar, ligando a praça São Sebastião até a praça Aristides Mascarenhas, rua Ladeira dos Italianos, rua Dr José de Magalhães Pinto e outros logradouros.

- Construção de valetas e cercas em torno dos mananciais de captação de água.

- Construção de um grande bueiro no local em que uma tromba d'agua caída no pasto do Dodô, abriu uma enorme cratera entre o hotel de Téco e a casa do Quinquim Terra, local este em frente ao fórum atual. Esta cratera foi cheia com a terra escavada da rua Magalhães Pinto, em dois caminhões, cada um dando mais de 60 viagens por dia, durante 14 dias, sendo carregados em um chute {bica} com trator, instalada em frente a farmácia do José Pinto Coelho {Dôdô}.

- Abertura de loteamento entre a rua Magalhães Pinto e o Monte.

- Pesquisa de campo, locação e construção de duas torres de recepção e de transmissão

de sinais de TV com linhas de energia elétrica, casa e repetidoras dos sinais e a estrada de acesso.

- Locação e abertura com infra-estrutura do loteamento do bairro do Asilo, cujo nome dado por mim e apoiado pela câmara, passou a se chamar Vila Manoel Antonio Puig. 100 lotes foram doados com planejamento e infra-estrutura.

- Colocação de placas numéricas nas casas em todas as ruas de Alvinópolis.

- Locação e abertura da nova estrada do distrito de Major Ezequiel só com recursos da Prefeitura.

- Criação do Ginásio e Escola Normal em l965 com meu pedido, do sr José Faustino Gomes e o apoio total do deputado José Santana de Vasconcelos no governo do Dr. Israel Pinheiro.

- Eletrificação nas ruas e casas do distrito de Major Ezequiel às expensas da prefeitura.

- Recuperação da usina hidráulica do distrito de Fonseca e da distribuição dela pela vila.

- Recuperação do conceito agropecuário da Cooperativa dos Produtores Rurais de Alvinópolis, onde, eu e João Lisboa Sobrinho (ACAR) fizemos um trabalho de quase catequese nas fazendas dos associados até então desiludidos. A cooperativa se ergueu com os Srs: Altivo de Oliveira Bessa, Manoel Ferreira Prímola, Ilton Pastorini, Adair Alves Rola e Carmo Cruzino Cota. Ajudei na compra, na separação, na remoção, na instalação e a posta em marcha do posto de resfriamento de leite adquirido da cooperativa de Curvelo.

- Melhoria e modificação de trechos nas estradas rurais do município com colocação de manilhas bueiros, pontes e mata-burros. Contei com a ajuda da Belgo Mineira, através do Sr. José Caxambu, o qual cedeu 30 horas de um trator de esteira D7.

- Reforma do jardim do Gaspar, cuja vegetação na orla dos 4 canteiros fechada com Fícus e acipreste com a altura de 2,00m, impediam o crescimento das palmeiras imperiais ali plantadas na época do interventor da cidade Dr. Manoel de Araújo Porto, por Manoel Antonio Puig, Dr. Mario França, Antonio Machado e Levindo Machado. Além disto, os 4 canteiros estavam servindo como bordel, mictório e privada. Fiz consulta popular aos moradores da praça e do bairro, que me parabenizaram pela idéia. Demolida a vegetação da orla dos canteiros, as palmeiras Imperiais ao receber luz do sol e arejamento, cresceram de uma maneira muito rápida e esplendorosa.

- Construção de bueiro, aterro e abertura da rua Padre Antônio Pena.

A maioria das obras aqui relacionadas foram feitas com recursos próprios da prefeitura e com a ajuda de pessoas e firmas da cidade, com o apoio total da Câmara Municipal , órgãos públicos e de toda a população. Faço uma referência especial à ajuda incontestável da Cia. Fabril Mascarenhas

e seus Diretores e também do ex-prefeito Dr. Mario França, que era considerado o pai de toda a comunidade, a quem me reverencio com muito orgulho e saudade.

22- Comenta-se que um grande projeto sua gestão era a transformação da Pedreira "Tanque" em ponto turistico , com ondas artificiais, pedalinhos, etc. Como era este projeto? E porque não saiu do papel?

Foi um sonho que não pode se realizar. Constava de uma praia artificial, com trampolins, quiosques, bar, sorveteria e um play ground para crianças. Não saiu do papel, por que não havia recursos disponíveis e nem tão pouco a verba competente.

23 – Uma das grandes obras de engenharia do seu governo foi a abertura de várias ruas na cidade. Como foi o estudo para a criação das ruas de Alvinópolis? Houve inspiração em alguma outra cidade?

A abertura das ruas de vários locais em Alvinópolis seguiu um ritual lógico e de bom senso. Eu fui aos locais, estudei os benefícios e as conseqüências negativas que poderiam trazer, dentro de um padrão urbanístico. Eu mesmo fiz os projetos, chegando até mesmo a fazer marcações topográficas em curvas de nível na ladeira entre a descida para o fórum, a baixada São Sebastião e o Gaspar, fazendo a concordância das pistas.

24 -Como foi a ligação da Praça São Sebastião ao bairro da Fábrica? Qual o problema que quase ocasionou a paralisação da obra e qual a solução encontrada para finalizá-la?

A firma construtora IR Paulo Simone, quando da paralisação das obras da ferrovia, em virtude da Prefeitura tê-los ajudado muito, com sessão de terrenos para a oficina mecânica, acampamento e a pedreira, se prontificou a dar ajuda com serviços para a cidade. Mostrei-lhe o projeto, que depois de visto, concordaram desde que a rampa da pista fosse aumentada de 0,5% para 1,0%, o que reduziria no volume de terra a ser escavado.Tudo concordado e autorizado, as máquinas iniciaram os serviços. Após vários dias de serviço, as máquinas pararam ao atingir o volume de terra escavado calculado.Eu mesmo ocasionei o erro, pois fui pessoalmente com o pessoal da prefeitura marcar os ”off sets”, que resultariam na pista de 0,5%. Os serviços na parte da manhã paralisaram ainda cedo. Coincidentemente, a firma havia mandado para meu uso particular, um cheque no valor de 30.000,00. Com esse dinheiro, cuja importância mandei descontar no banco pelo Sr. Paulo Figueiredo, dei ordem expressa, para ser distribuído entre o pessoal da firma, desde o chefe de escritório ao lubrificador de máquinas. Assim consegui que as obras continuassem.

Dez dias depois os serviços foram terminados.Fiquei muito emocionado quando encontrei o Dr. Frederico M. Álvares da Silva, que chorou na minha presença e disse: - Você conseguiu realizar o meu sonho, o que não tive condições de fazê-lo.

25 – O Senhor foi um dos fundadores da Cooperativa dos Produtores Rurais de Alvinópolis. Quais os benefícios a Cooperativa trouxe para os produtores rurais naquela época? Cite as pessoas que contribuíram nesse projeto?

Eu tive o prazer de juntamente com o Dr. João Lisboa Sobrinho, reativar a Cooperativa, fazendo um trabalho de catequese junto aos produtores rurais percorrendo todo o município. O leite, inicialmente, era levado em latões para ser resfriado em Dom Silvério. Assim, adquirimos um caminhão com tanque exotérmico que recolhia o leite resfriado em Dom Silvério e o levava para BH. Daquela época até hoje, a cooperativa absorve a produção de leite dos produtores, sendo uma renda mensal certa, além de fornecer os insumos.As pessoas que reiniciaram a cooperativa foram: Altivo de Oliveira Bessa, Hilton Pastorini; Manoel Ferreira Prímola, Adair Alves Rola, e Carmo Cruzino Cota.

26 – Outra grande obra realizada em seu governo foi a instalação da CEMIG no município. Os distritos também foram beneficiados? O que mudou na vida das pessoas?

Na minha gestão a CEMIG foi instalada na sede. Conseguimos que ela fosse instalada sem o custo de 12% do projeto, através do seu presidente Dr. Julio Soares. Ele teve receptividade ao meu pedido, pois a câmara municipal votou o projeto que pedi, dando o nome da rua D. Naná Kubistchek, sua falecida esposa. Os serviços instalados na cidade seguiram os padrões de Belo Horizonte, por exigência dele. Em Fonseca, reativei a Usina Hidráulica e no Major, fiz a iluminação nas casas e ruas com motor gerador à diesel.

25 – Como era a ligação da sede com os distritos? O que o Senhor fez para a melhoria da qualidade de vida do meio rural? Cite as principais obras nos distritos.

As estradas eram péssimas.Em Major Ezequiel, foi feita outra estrada, com condições boas de tráfego. Para o Fonseca foram feitas mudanças em trechos perigosos, bueiros e drenos, alargamento de pistas, pontes e mata-burros. Em ambos os distritos foram feitas melhorias no atendimento educacional com uma nova escola primária em cada um e atendimento médico temporário. Também nas outras áreas rurais, houve melhorias da qualidade de vida.

26 – Durante a obra de construção do túnel da Linha Férrea do Fundão, obra não concretizada, o Senhor conseguiu junto a empreiteira, a doação das pedras para calçar algumas ruas de Alvinópolis. Porque a obra foi paralisada e quais ruas foram beneficiadas com o calçamento poliédrico?

A obra da Ferrovia foi paralisada pelo governo militar em 1964. O calçamento das ruas à poliédrico, foi possível pela dádiva do diretor do DNEF, Dr. Fernando Lavenhagem de Melo, que aceitou o meu pedido para utilização das pedras. Ainda a meu pedido, cedeu à título de empréstimo um caminhão de grande porte, com tração nas quatros rodas e lâmina à hidráulico entre eixos, para nivelamento de terreno que o povo de Alvinópolis o apelidou de bichão.

27 – O Senhor foi quem instalou a torre em Alvinópolis e um dos primeiros a ter televisão em casa. Como o Senhor conseguiu criar e educar 12 filhos e ao mesmo tempo administrar o município? Comente para nós um pouco sobre a chegada da TV em Alvinópolis e como a novidade foi recebida por todos.

Na realidade eu não tinha televisão em minha casa. Para os testes que fazia, eu utilizava uma TV emprestada, da minha amiga Cirene de Vasconcelos Moreira. Posteriormente, através de uma lista de pessoas da comunidade, encabeçada pelo Senhor Carmo Cruzino Cota, em agradecimentos aos meus esforços para colocar a televisão, compraram e me deram de presente uma TV Philips novinha. Ainda tenho guardada em meu poder, a lista com os nomes, valores dados por cada um. Para criar e educar os meus 12 filhos em Alvinópolis, agradeço principalmente ao comércio que me vendia para eu pagar posteriormente, quando recebesse. Foi uma dádiva de Deus. A minha esposa lutou muito pelos filhos e toda a comunidade ajudava a olhá-los. Todos nós somos muito gratos aos alvinopolenses.

28 – Durante seu governo o Sr. conseguiu baixar o índice de doenças infecto-contagiosas no município. O que foi feito?

Construímos uma fábrica de manilhas com diâmetro de até 80cm lá na pedreira. Comprei formas para fabricação de manilhas com 2m de diâmetro, que eram fundidas na borda da obra. Todos os locais na cidade onde corria água à céu aberto foram canalizados com manilhas, de acordo com a vazão. Com essa medida, baixamos os índices de doenças infecto-contagiosas.

29- Existe alguma obra, que desde o seu tempo era pedida, e até hoje não foi concluída?

Sim. A ligação da praça São Sebastião com a Av. Padre José Marciano de Aguiar. Para isso era necessário a desapropriação da casa do Sr. Jorge Felício Dias, ao lado do Nicks Bar. Providências estavam sendo tomadas, porém faltaram recursos e tempo, pois findava meu mandato.

30 – Cite algumas pessoas que contribuíram para o sucesso de sua administração e como era sua relação com os funcionários?

Tenho orgulho de ter recebido ajuda de toda a comunidade inclusive de adversários políticos. Minha relação com os funcionários era de respeito e amizade. Todos eles sempre me ajudaram a construir.

* Auxiliares diretos: O Vice-Prefeito, nascido no distrito de Major Ezequiel, Olindo de Assis Martins, Darcy Gomes de Carvalho, José Silvério de Carvalho, Paulo de Vasconcelos Figueiredo, Maria Geralda Machado Martino, Eliodoro de Souza Trindade, Édson Faria, José Eustáquio Faria Corrêia, Ronaldo Martino, Clóvis, José da Cruz, Nicolau Papa, José de Souza Trindade, José Carlos, Antonio Theodoro Gomes e Antonio Terra. * Auxiliares externos: Joaquim Vicentino Gomes, João Schetini Filho, Sérvulo Linhares Perdigão, José Pinto Coelho, João de Vasconcelos Barros, Estevão de Carvalho Cota, Alexandre Jorge, Paulo Roberto, Antoanete Cota, Antonio Viana Cota, Cirene de Vasconcelos Moreira, Francisco de Magalhães Sá, Alcir Barcelos Gomes e Dimas Matheus.*Área técnica: Samuel Borges, Geraldo Viana Cota, Domingos Martino, Juventino Viana Cota, José Cezário dos Santos e Anízio Cerqueira

31 – Um dos mais ilustres políticos de Alvinópolis que se destacou no cenário político nacional é o Deputado José Santana de Vasconcelos. Quais os benefícios ele trouxe para Alvinópolis em seu governo?

O deputado José Santana de Vasconcelos, que tive a honra de lançá-lo à candidato em Alvinópolis.Seus ancestrais, todos eles alvinopolenses, ajudaram muito a comunidade, quando era ainda Paulo Moreira. Portanto ele sempre teve compromisso com sua terra e a de seus pais. Ninguém ajudou tanto a Alvinópolis quanto o Dep. José Santana, com as obras de grande porte na cidade.

32- Um dos grandes homens de Alvinópolis foi o saudoso jornalista José Faustino Gomes filho do Professor Cândido Gomes.Qual foi sua importância política para o desenvolvimento de Alvinópolis?

A pessoa que mais amou a sua terra que eu conheço. Foi ele, José Faustino Gomes,que herdou de seus pais um caráter excepcional, pessoa muito honesta, inteligente,jornalista, orador de grande mérito. Todas as pessoas que estudaram e estudam em Alvinópolis, devem a ele o reconhecimento pela oportunidade que tiveram. Os conhecimentos adquiridos nas escolas primárias, secundárias e superiores, oram conseguidos com seu esforço intelectual, ficando no anonimato às vezes, para outros assumirem a paternidade.Hoje, conhecemos ilustres alvinopolenses projetando-se no cenário nacional, como professores, historiadores, escritores,poetas e em diversas profissões liberais, além das áreas sócio-econômicas, graças ao pioneirismo de José Faustino.

33 - Trabalhar sem remuneração, simplesmente por ideologia. Como era isso?

Existe um ditado antigo que diz: você dá um boi para não entrar, mas quando entra, dá uma boiada para não sair.

34 - Quais as cobranças mais freqüentes na sua administração?

Os pedidos individuais eram grandes no princípio,mas houve desistência quando souberam que só atendia a benefícios coletivos.

35 - Qual o valor da cultura, para um povo?

A cultura de um povo é adquirida individualmente e no meio em que vivem, sendo melhoradas através de leituras, convivências e formações profissionais.A Alvinópolis daquela época respirava cultura. Encenação teatral na rua de cima, em frente à Igreja do Rosário. Os meninos da época no cinema.

36 - O Senhor acha importante o debate em torno do meio ambiente ou considera ser um discurso azedo dos chamados ECHOCHATOS?

Acho importante preservar o meio ambiente em que vivemos, que reflete a nossa saúde. Mas depende do grau de conhecimento das pessoas e isto ainda vai demorar muitos anos para que o povo seja conscientizado.

37 - O Senhor acha que a Internet facilitou a vida das pessoas?

Sim. As comunicações rápidas auxiliam na vida de todos nós, além das pesquisas, notícias e entretenimento. Até um ano atrás eu não era adepto dessa tecnologia. Hoje, utilizo a internet para comunicar com meus familiares e amigos dentro e fora do país. Falo constantemente em Alvinópolis com meu grande amigo Antônio Machado, através de áudio e vídeo.

38 - O acesso a essas informações pode enriquecer o trabalho do prefeito?

O prefeito tem uma ferramenta à mão que pode ser utilizada em muitas funções e contactos com outros prefeitos colegas, com órgãos públicos, parceiros, fornecedores de produtos e serviços, etc.

39- Cite uma grande alegria, e uma grande frustração de sua gestão ?

A GRANDE ALEGRIA - Em minha gestão pude trabalhar muito pela minha querida terra natal, sem medir os esforços e prejuízos pessoais, tendo realizado obras de grande porte em todo o município, com custos relativamente baixos, usando os meus conhecimentos.

A GRANDE FRUSTRAÇAO - Meus pais foram enterrados no cemitério da Igreja do Rosário, em sepultura comprada em nome de Maria Helena, minha sobrinha, devidamente cercada com guarnição de ferro e uma cruz de madeira em Baraúna.Com muito pesar, não posso orar no túmulo deles, por que ele desapareceu. Debito este fato à insensatez e falta de conhecimento do prefeito da época, que mudou a entrada do cemitério para o lado direito da coroa de bambus, e nessa operação, fizeram desaparecer a sepultura de meus familiares.

40 - Conte um caso curioso acontecido em sua gestão?

Só me lembro da trombada de um cavalo com uma égua na Barra do S. Tempo escuro ameaçando temporal, os cavaleiros vinham à galope na tentativa de chegarem ao destino antes da chuva; eis que numa curva bateram de frente. O cavalo morreu, um cavaleiro quebrou a clavícula e o outro teve ligeiras escoriações.

41- Como o senhor enxerga o quadro político atual, em nível Brasil e Alvinópolis.

Gostaríamos que o Sr. fizesse um paralelo entre os políticos de hoje e o seu momento à frente da prefeitura.Estão em níveis paralelos. Quando fui prefeito de Alvinópolis, eu me sacrifiquei em beneficio da comunidade, o que hoje ninguém faz.

42 - O que o Senhor acha que precisa ser feito para se melhorar a política? O que acha do relacionamento entre o legislativo e executivo? Qual a sua receita para diminuir a corrupção?

Sinceramente não vejo solução para melhorar a política. Os dados e as notícias estão aí. O povo na política só serve para duas coisas: gastar dinheiro e ser iludido mantendo os mesmos políticos no poder. Eles não querem mudanças, preferiram desarmar a população resguardando-se da revolta do povo que poderia fazer justiça com as próprias mãos .

43 - Qual o perfil para um bom administrador público?

O perfil para um bom administrador público é ser honesto, trabalhador e ter conhecimentos específicos para o cargo. Não trabalhar em benefício próprio. Hoje, isso é uma utopia, infelizmente.

44- Falam que Alvinópolis está com 30 anos de atraso, em relação à Administração Municipal, o senhor concorda?

Eu sou suspeito para responder. O meu julgamento não seria válido, pois, me desliguei da política por decepção.

45 - Como o senhor vê a cidade de Alvinópolis hoje?

Apesar de erros e desmandos e a falta de planejamento, a cidade cresceu muito, e conseqüentemente cresceram os problemas.

46 - Qual a sua receita para uma vida próspera, com lucidez, família criada e um legado para gerações?

Em primeiro lugar, estar com a consciência tranqüila e muita fé em Deus.Evitar qualquer tipo de agressão ao organismo, como fumo, álcool, qualquer tipo de droga e não tomar nenhum remédio sem necessidade. Dormir bem à noite, praticar esportes e ter alimentação sadia, com legumes, verduras e frutas.

47 - Qual a mensagem o Sr. deixaria para os alvinopolenses de HOJE e de AMANHÃ.

Escutem os conselhos dos seus pais. Eles sabem e sentem o que será melhor para vocês. Somente eles são os verdadeiros amigos. Na falta deles, procure soluções com o parente mais próximo e que lhe seja confiável. Ame ao próximo como a você mesmo, fazendo bons amigos. Procure estudar sempre. Quando estiver trabalhando, procure fazer o melhor com seriedade e interesse, cumprindo os seus deveres, procurando aprender sobre tudo e sobre todos, com respeito mútuo.

No trabalho, se tiver oportunidade, aprenda a fazer outros serviços que lhe trarão novos conhecimentos. Eu sempre fiz desta maneira, vendo, lendo, sentindo, fazendo e assimilando tudo à minha volta. Use a sua inteligência pra caminhar bem na vida.Você também é filho de Deus. Recomendo aos jovens, futuros homens de Alvinópolis, a manterem vivas as memórias da nossa cidade, cultuando sua história, já que sem elas, não teremos referências, que se apagarão para sempre, e, o nosso passado será extinto como uma gota d’água que cai no chão. Infelizmente existe um sacrilégio na historia de Alvinópolis e não consigo entender a causa. Vocês devem erguê-la, jovens filhos de Alvinópolis.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

DUDU, UM ALVINOPOLENSE DE VALOR...

 

Ele começou como humorista, imitando diversas figuras públicas, de Silvio Santos a Lula, Bolsonaro, vozes de desenho animado. Primeiro humorista de Alvinópolis. Alvipa sempre teve bons contadores de piada, pessoas espirituosas, mas humorista assumido, acho que é o primeiro. Ele é ator também, embora não assuma publicamente esse papel, pois é capaz de encarnar personagens. Inclusive, se vc precisar de uma locução séria e institucional, ele tem capacidade também. Se precisar para um evento agropecuário, ele arrebenta. Se precisar de locutor pra porta de loja, pra eventos empresariais, é só passar o script  que ele vai lá e comunica com muito carisma. Tenho vontade de fazer alguns projetos com ele. Ainda não foi possível, mas qualquer dia, quem sabe? Imaginem um show de calouro na praça da creche, com um karaokê, com artistas de todas as idades se apresentando e ganhando prêmios oferecidos pela ACIA? Só viajei aqui, pessoal. Por que esse caboclo alvinopolense tem o dom de levar alegria e comunicar. Talvez ainda lhe falte um pouco mais de auto-estima, de autoconfiança. mas isso virá na medida que for tendo oportunidades. Alvipa tem essa mania de não dar valor a quem é da terra.  Que a cidade saiba aproveitar seu talento, antes que outra cidade o faça. Viva Dudu e os talentos alvinopolenses.

domingo, 1 de outubro de 2023

SR JAYME BARCELOS, A ELEGÂNCIA EM PESSOA

 

O poeta Ilderaldo Francisco Ferreira lhe chamava de " O HOMEM DO ETERNO TERNO" por que o terno preto lhe cabia muito bem. Elegante em todos os sentidos, o Sr Jayme era uma pessoa muito refinada. Foi uma das primeiras pessoas que me atiçou o gosto pela literatura. Ele falava das obras máximas da literatura brasileira com uma leveza, falando sempre baixo, sem destemperos. Ele recitava diversas poesias de cabeça, com ritmo e interpretação perfeitos. Devo muito de minha formação a esse Alvinopolense de alta linhagem. E aprendi outra coisa com ele: sr pessimista no futebol. Cruzeirense, assim como seu filho Manoel ( Neo Gemini), ele nos ensinava a respeitar os adversários. Lembro-me que o Cruzeiro ia jogar contra o Valériodoce de Itabira. Cruzeiro era cheio de craques, ganhava dos melhores do pais. Mas ele dizia...- ih...o Valério é duro. Povo de Itabira tem vontade de ferro, um povo que não se abala com uma pedra no caminho. Eu ficava preocupado. Ele citava indiretamente Drummond, contemporâneo dele. Pode ser que eles tenham até se encontrado nas estradas da vida. Nesse dia o Cruzeiro venceu o Valério por 3x0. No outro dia o procurei e ele falou. Eles são duros. O Cruzeiro é que foi pedra mole. Alguns dias depois, esse mesmo Valério venceu o Atlético por 2x1. Eu falei pra ele...Sr Jayme, o sr tinha razão. O Valério é duro mesmo. Mas o pessimismo dele era em todo jogo. Ele sempre dizia...ih...a Ponte Preta é dura. O Santa Cruz é duro. Qualquer time que ia jogar contra era duro. E eu peguei a mania. Sempre respeito e temo os adversários. Meu amigo Jovelino até me xinga quando eu faço comentários pessimistas. Ele diz: sai pra lá Sô Jayme. Mas eu gostava do homem do eterno terno, junto com a Dona Bibi, um casal muito bonito e harmônico. Saudade demais, viu...

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

MARDÉLIO COUTO É UM ALVINOPOLENSE DE VALOR

 

O jornalismo em Alvinópolis, sem dúvidas tem como patrono José Faustino Gomes, um grande alvinopolense que dedicou sua vida à educação,a imprensa e a família. Depois tivemos o Sr Ernesto de Souza, que editou seu jornal "O PROGRESSO" durante décadas. Tivemos ainda  Frederico Ozanam Barcelos, que foi superintendente da Rádio Inconfidência, jornalista de altíssimo nível. Názia Pereira é outra repórter importante, que trabalhou em prestigiosas mídias mineiras e faz belo trabalho. E recentemente temos a alegria de acompanhar a trajetória de Mardélio Couto, um rapaz que começou numa rádio comunitária em Alvinópolis e vem acumulando prêmios e evolução na carreira. Mardélio começou a ter destaque de verdade como repórter na rádio Bandnews Minas. Foi conquistando espaços, principalmente na cobertura das tragédias de Mariana e Brumadinho. Nessa época, apareceu em edições nacionais do jornalismo da BAND e teve oportunidade de trabalhar com o mítico jornalista Ricardo Boechat, que nos deixou tragicamente em um acidente de helicóptero. Mardélio atua também como âncora, muito à vontade conduzindo programas e quadros.  Continuou fazendo um trabalho de excelência, sempre crescendo dentro da rádio, e acumulando prêmios de jornalismo. Sou ouvinte assíduo das rádios BANDNEWS e CBN e tinha preferência pela BAND por que o Mardélio tava lá(rs). A Band é uma rádio que tem uma plástica um pouco mais jovem, dinâmica. A CBN, que inaugurou o formato talk rádio no brasil, apenas com matérias jornalísticas, sempre me pareceu um pouco mais adulta. Mas eis que recentemente Mardélio foi pra CBN(que é do sistema globo). Maturidade? No meu ver começou um pouco tímido, como bom mineiro, estudando o ambiente. Mas com pouco tempo já dominou o espaço e tem dado show. Sempre que instado, é o repórter que apresenta as notícias mais detalhadas com informações interessantes e bastante carisma na voz. Tem participado direto também dos programas nacionais, sempre com muita competência e deferência por parte dos seus pares. Por isso não tenho dúvidas em afirmar que Mardélio é um Alvinopolense de valor...e ainda com muita estrada pela frente. Esse menino vai longe...e de bike... 

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

ALFRED HENRIQUE, POETA E AMBIENTALISTA

Esse camarada eu aprendi a respeitar. Ele é polêmico, multi-tarefas, está em muitos lugares ao mesmo tempo. Imagino que deve desagradar algumas pessoas, pois denuncia coisas que as pessoas naturalizam. Ele não suporta ver como as pessoas lidam com o lixo em Alvinópolis, fotografa e coloca na roda os sujões. É indignado com a falta de civilização de algumas pessoas, que parecem não enxergar a cidade como sua casa. Participa dos projetos CIDADE VERDE e CARIMBÓ, também é bom no marketing, um dos alvinopolenses mais presentes nas redes sociais. É proprietário da CONCENTRALFA, que se dedica a dedetizar e livrar os ambientes das pragas de todos os tipos. Além do mais é poeta inspirado, procura extrair a poesia do cotidiano,  batalhando no momento para lançar o seu primeiro livro. Alfred Henrique é um Alvinopolense de valor. 

sexta-feira, 21 de junho de 2019

JOÃOZIM

Joãozinho é um Alvinopolense de imenso valor. 
O nome dele é João Carlos de Souza Carvalho. Pra muitos, Joãozinho de João de Vina ou só Joãozinho. Pra nós do Verde Terra, o nosso Gão. Pra mim uma influência positiva,por colocar o coração em tudo que faz, pela capacidade de gestão, senso de organização,  respeito com o que é público, pela sensibilidade artística, por ter feito ótimos trabalhos por onde passou, por ser um companheiro de cantoria, enfim. Só para terem uma ideia da importância desse sujeito, ele fez pelo menos uns 10 festivais  SOZINHO. Ele dava conta de seu trabalho como secretário e ainda encontrava tempo de organizar alguns dos melhores festivais de música que tivemos. O Festival deve muito a ele. Foi ainda um dos fundadores de um dos maiores fenômenos do carnaval alvinopolense que foi o BAG e com muito orgulho, presidente do Alvinopolense. Também participou de organização de shows, cavalgada e exposições no parque de exposições. Além do mais, é músico, bombardinista preciso, cantor fundamental no vocal verdeterrano. Depois ainda dirigiu por anos a Rádio Alternativa de João Monlevade, que ajudou a estruturar, deixando como legado muitas melhorias na estrutura e amizades que vão ficar para sempre. Hoje está aposentado e reside em João Monlevade, mas está sempre em Alvinópolis, cidade do coração.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

ILDERALDO, O VIVALDO. MENINO BOM D'ORELHA.

Sua fala é feita de memórias, humor, prosa e poesia. Ele é Ilderaldo, o Vivaldo, o poeta sanão, menino excelso que transborda poesia. Ele lançou diversos livros e é daqueles sujeitos que vive poesia 24 horas, que recita frases e poetisa naturalmente, pela vida à fora. Todo encontro com Ilderaldo é certeza de muito humor e amor pela vida. Ele conta casos incríveis que realmente aconteceram. Dariam excelentes livros ou até curtas. Ilderaldo tem o dom de mixar fantasia com  realidade, no que se entende como realismo fantástico. Por exemplo, teve uma vez que ele chegou na república onde morávamos com o pé machucado. Ele contou que estava andando pela Pedro II, quando passou um caminhão e deixou cair uma lata de doce de leite de 5 kgs em seu pé. E ele realmente estava com uma lata de doce de leite amassada debaixo do braço. São muitos causos mirabolantes. Sempre foi pesquisador. Tem um acervo fantástico de CDs e vinis raros. Através dele conheci artistas desconhecidos, mas de altíssimo nível. 
Ele é fi de zé meu fi, mestre do Prú Tchá. Pra quem não sabe, Prú Tchá é um grito de força que só existe em Alvinópolis, criado pelo seu pai zé meu fi. Mas fazer prú tchá do jeito certo requer técnica. Quem quiser fazer um curso de prú tchá, tem de falar com Ilderaldo.Tive a sorte de conviver muito tempo com ele e de ser seu amigo. Menino ótimo d'orelha. Tamos juntos, vivos e operantes!

sábado, 9 de junho de 2018

TIOS MUSICAIS

Dois tios meus em ação: Tutuia e Babucho


FAMÍLIA MUSICAL

Minha família por parte do meu pai é muito musical.Desta vez eu vou pedir licença pra falar de 4 tios que ajudaram a moldar a minha músicalidade.  

TIBABUCHO

O primeiro deles é meu tio Babucho. Era conhecido como grande cavaquinista; Era músico intuitivo, desses que toca tudo de ouvido. Ouvia a música uma vez só e já tocava a música inteira.  Também sabia improvisar. Era sentir a linha da música e acompanhar usando cavaquim base ou solo. Também tocava violão muito bem, principalmente samba, chorinho e seresta. A primeira música que fiz na vida tive de recorrer a ele. Influenciado pelo festival de música que nascia na cidade, criei um samba chamado "Venha".  Fui até a barbearia dele com um velho gravador k7 do meu pai, mostrei  a melodia e ele criou um violão maravilhoso ali na hora. Com essa gravação fiz inscrição em meu primeiro festival. Pena que não tenho mais essa gravação.

TITÚIA

Meu tio tutuia também foi uma forte influência por uma razão muito simples: por causa do Baião. Meu tio era fã e divulgador da obra do grande Luiz Gonzaga. Cantava todas as músicas. O curioso é que na época, os baiões eram bem aceitos nos bailes. Ele tinha um repertório vasto. Em sua casa sempre tinha uma banda ensaiando também, com suas  guitarras, baixos, baterias e teclados. Ricardo sempre na bateria, mandando ver. Serginho também por perto. Lembro-me muito de Neguinho também. Mas a parte do Baião era com o Titúia. Outra coisa que não me esqueço é que ele foi a primeira pessoa que conheci na vida que se sensibilizava com a causa dos negros, que foram tão mal tratados no Brasil na época da escravidão.  Tive a oportunidade de interpretar uma música dele num festival que falava sobre isso.


TITONE

Meu pai, conhecido na cidade como Tony Anemia, era chamado pelos sobrinhos de Titone. Sempre adorou música também e tem o vício do assovio. Assovia o dia inteiro até hoje. Com ele conheci a beleza dos boleros de Bienvenido Granda, Trio Los Panchos,  Romanticos de Cuba, também das orquestras de Billy Vhogan, Paul Mauriat, Green Miller,  os tangos imortais, além da MPB. Tenho uma imagem muito forte na memória, de um dia em que chegou em casa com um toca-discos portátil. Aquela era uma máquina fantástica. Ele comprou vários discos e tinha um em especial: o disco "CONSTRUÇÃO" de Chico Buarque de Holanda. Quando ele colocou pra tocar, em princípio tive um estranhamento. Achei a voz, sei lá, de nhem-nhem-nhem. Mas ele adorava e punha pra tocar direto. Acabei ficando viciado também. Depois vieram Gal Costa, Maria Betânia, Roberto Carlos e um tal de Raul Seixas. 

TIJOÃO DE VINA

João Divina gostava de tocar bandolim. Ele tinha sua barbearia, que manteve por anos a fio. Sempre de tardezinha, quando o horizonte já começava a ficar dourado, ele pegava seu bandolim, ligava na caixa de som e tocava as músicas mais lindas do cancioneiro brasileiro. E tocava sem acompanhamento nenhum. Era ele e o bandolim.  E o ar se enchia com aquele som divino, tocado com muito sentimento.



quarta-feira, 9 de maio de 2018

JOSÉ FAUSTINO GOMES, GRANDE JORNALISTA E PAI DA EDUCAÇÃO EM ALVINÓPOIS

Há personagens que são lembrados pelas obras físicas, pelas pontes, hospitais, ruas e estradas que construíram. Há também os poetas, os artistas e escritores, que deixam relevante legado artístico e por isso são lembrados. Mas fundamentais mesmo são os nossos educadores, reais construtores da nossa cidadania.E quanto a gente pensa em educação, o nome que nos vem à cabeça é o de José Faustino Gomes. Filho de Cândido Gomes, um educador pioneiro, José Faustino abraçou as bandeiras do jornalismo e da educação.Como jornalista atuou como repórter, redator, contato comercial, tipografo, chefiou redações, ajudou a fundar diversos jornais em Minas Gerais e fundou a primeira rede de jornais associados em Minas. Como educador, foi responsável por uma verdadeira revolução educacional em Alvinópolis. Em sua trajetória, trabalhou incansavelmente para que Alvinópolis tivesse uma educação de qualidade. Fez um trabalho de paciência, arrebanhando alunos onde estivessem, convencendo os pais sobre a importância de colocarem os jovens na escola. Nesse meio tempo, enfrentou o preconceito de parte da sociedade, que preferia enviar estudantes para Ponte Nova, que deixá-los estudar em Alvinópolis. Perseverou no sonho e venceu. Alvinópolis conseguiu ter uma educação de segundo grau invejável, graças ao esforço desse grande fantástico Alvinopolense .


Depoimento do Professor José Mauro


"Eu devo muito a José Faustino. Foi por causa dele que pude estudar e me tornar professor. Eu era morador de Fonseca, nem pensava em estudar, levava uma vida simples e não me preocupava com o futuro. José Faustino esteve lá em casa, conversou com meu pai e me levou pra escola. E ele não aceitava não como resposta e nem dificuldade. Eu precisaria de reforço de português e Matemática.  Ele ajeitou um farmacêutico que morava em Fonseca pra me dar aulas. Assim eu me mudei pra sede do município, onde estudei e depois vim a me tornar professor e a construir minha vida. Ele fez isso com centenas, com milhares de Alvinopolenses. Balançou toda uma geração gerando ótimos profissionais e melhorando o nível intelectual da cidade. Foi empreendedor nato, trabalhou muito, criou sua família na honestidade e não enriqueceu com isso nem se tornou um homem de posses.

DEPOIMENTO DE DAVID CORREA

Há algumas dezenas de anos atrás, Modestino me disse bastante emocionado, que minha mãe D. Alódia ao passar defronte à sua casa, viu D. Castevilla chorando. Perguntada, ela respondeu que teria que retirar todos os seus filhos do Colégio "Cândido Gomes", pois não tinham, ela e o Modesto, condições de arcar com as mensalidades, afinal, eram muitos filhos. Mamãe disse a ela:  - Espere aqui um pouquinho. Daí a uns dez minutos ela voltou acompanhada do José Faustino Gomes que a tranquilizou dizendo: - Seus filhos não mais pagarão nem um tostão até se formarem. Assim era o José Faustino. Me lembro de uma passagem inesquecível. Ele promovia, de vez em quando, diversos sorteios de brindes. Eu tinha 13 anos. Ele pediu-me que eu segurasse o frango para efetuar o sorteio. Disse: - Atenção! O número sorteado é o 14! Era o meu número! Entreguei o comprovante e já saí correndo para minha casa a fim de saborearmos, junto com a família. José Faustino me lembra os versos de Paulo César Pinheiro" Se eu fosse Deus, a vida bem que melhorava. Se eu fosse Deus, daria aos que não tem nada". Foi responsável por melhorar a vida de todos que estudaram no Colégio por ele fundado. Nos anos 1950 aquelas centenas de pessoas, os milhares de descendentes tiveram suas vidas direcionadas a um futuro promissor. Ele deixou um raio luminoso que nunca será esquecido. 

Depoimento do Zózimo

A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO PROF. CÂNDIDO GOMES funcionava nas instalações do Grupo Escolar Bias Fortes. Instalações que já faziam parte da minha infância, resolveram voltar na adolescência/juventude. E não houve intervalo de tempo. Passou a existir uma diferença no espírito quanto à maneira de encarar a coisa. No tempo do Grupo, era sem preocupação pois não tínhamos informações suficientes para tanto. Agora, porém, ouvíamos novas nomenclaturas que passariam a, em termos, preocupar: concorrência, mercado de trabalho, continuidade de estudos, testes vocacionais, vestibulares, etc.
Realmente, quem falar que ouvira estas expressões no tempo de Grupo, está enganado ou mentindo. No entanto, posso afirmar, o novo ambiente era de esperança, alegre, sadio, construtivo. Professores de espírito altamente idealista, pessoas que, não obstante o cansaço da jornada diária de trabalho, se dispunham a renunciar ao aconchego da família para ir passar para nós um pouco do muito que sabiam. E não se limitavam à função precípua de fundar, manter e lecionar. Desenvolviam outra função que era “catequizar”. Sim. Catequização de pais e filhos, aqueles instruindo, estes recebendo instruções de que estudar era bobagem. “Fulano, filho de Beltrano nunca estudou, foi para fora e ganha uma fábula”, como se dinheiro representasse o valor maior da vida, ou como se uns três salários-mínimos representassem uma fábula.
Certa vez estava fazendo caminhada na rodovia, junto com o Magela. Conversa vai, conversa vem, ele disse-me que um dia, chegando em casa, viu o Sr. José Faustino, na cozinha de sua casa, tentando convencer à Dona Anita de que todos os filhos deveriam matricular-se no Colégio. Ao argumento dela de que a renda familiar não comportaria tal compromisso, ele retrucou: “Não há problema. Eles entram na condição de bolsistas”. E a bolsa de estudos, lá, não era igual a que conhecemos, que exige cópia do contra-cheque, atestado de residência, atestado de pobreza, compromisso de ressarcimento, etc. Simplesmente, na frente do nome do aluno que constava na ficha de matrícula, ele escrevia a palavra “bolsista” (às vezes, a lápis) e estava deferido o requerimento.
Aquilo era uma convenção para o Tesoureiro, na hora de emitir os carnês, simplesmente pular aquele nome. Decorridos exatos sete anos, aquele nome que antecedia a palavra “bolsista”, passava a constar numa lista colocada em cima de uma mesa bem no centro do palco do Cine Alhambra, onde iriam ser citados os nomes de mais alguns Técnicos em Contabilidade. Que pena que só agora em 2.006, após aposentar-me, resolvi ter a iniciativa de escrever este texto. Que pena que antes eu tinha a correria do dia-adia; que pena que eu só tinha folgas aos sábados e domingos e que teria que dedicar estes dias aos meus filhos que se privavam de mim toda a semana; que pena que eu não pude escrever este texto quando os fundadores do Colégio ainda eram vivos. Como seria bom eu pegar o primeiro exemplar, levar à casa o Sr. José Faustino entregar-lhe e dizer-lhe:

“ Quando, naquela época o senhor não poupava esforços pelos nossos futuros, nós não sabíamos avaliar a sua luta, nós éramos inibidos e não sabíamos falar nada além do trivial em roda de amigos; nós, às vezes, nem gostávamos da sua cara fechada, com a qual o senhor conseguia manter a ordem tão necessária então. Espero que agora o senhor veja o quão valorizamos e somos agradecidos pela garra que o senhor e seus companheiros de luta dedicaram a nosso favor.”

Depoimento Sr Nilo Gomes


José Faustino foi uma pessoa notável, de rara inteligência, com grandes  conhecimentos da língua portuguesa, orador de primeiríssima qualidade e que versava tudo de improviso. Foi ele quem levou a Escola Normal para Alvinópolis; o Colégio Comercial Oficial de Alvinópolis; instalação do município no plano rodoviario do Estado, pedido feito em 1988 ao Governador Israel Pinheiro. O Sr José Faustino foi diretor dos colégios. Foi dele também o pedido feito ao Governador Magalhães Pinto para a construção do Forum em Alvinópolis. Ele também fez pedido ao Governador Magalhães Pinto para Instalação da Cemig em Alvinópolis e ao Dr.José Bonifacio de Andrade para a instalação de cursos complementares na cidade e nos distritos, no que foi atendido. Como jornalista, passou por varias cidades do Sul de Minas, deixando a melhor impressão sobre a sua pessoa. Em Alvinópolis, sua terra natal, atuou como secretário geral da prefeitura. Nós tínhamos um time afinado e José Faustino era uma peça importante.Trabalhou na Prefeitura como secretario e assessor técnico juntamente com o Dr. Mario França, Dr. Frederico  M. Álvares da Silva e seus auxiliares. Ele era uma pessoa muito boa, que pautava suas ações  nos conhecimentos que adquiriu dos seus pais e antepassados. Era combativo  na defesa de suas causas, mas respeitava todas as pessoas, principalmente os mais pobres e indefesos.        

Depoimento José Santana de Vasconcelos.
                    

José Faustino foi um sujeito abnegado pela educação em Alvinópolis. Na época dele, conseguimos criar o ginásio Estadual Anexo em Fonseca e Major. Santa Barbara não tinha. Alvinópolis tinha curso técnico,  primeiro e segundo grau estadual. Foi uma grande conquista. Além da dedicação dele com o ensino, participava de tudo que pudesse vir para melhorar a infra estrutura do município com benefícios para o povo. Foi uma época muito progressista. José Faustino era jornalista, falava e escrevia muito bem. Era muito, articulado e persistente. Eu já tinha alguma influência política e fomos viabilizando as coisas até conseguirmos construir o novo prédio do colégio, que com muita justiça levou o nome de Cândido Gomes, pai do José Faustino.

BIOGRAFIA

José Faustino Gomes nasceu em Alvinópolis, MG, aos 15 de dezembro de 1905, na antiga fazenda "coati". Filho do Professor e Jornalista José Cândido Gomes e de Da. Maria Angélica de Abreu Lima Gomes , ficou órfão de mãe aos 5 anos, perdendo o pai aos 13 anos de idade. Fez o curso primário na cidade natal, iniciando o curso secundário no colégio "São Luis", fundado e mantido por seu pai, estabelecimento de ensino que funcionou até 1918, encerrando suas atividades por motivo da morte de seu Diretor fundador.

TRAJETÓRIA COMO JORNALISTA

Arauto do Sul existe até hoje
Com a morte do pai, ingressou em janeiro de 1919 como tipógrafo na oficina do jornal "O ALVINÓPOLIS", mantendo ainda como editor, em 1920 o jornal humorístico "O esportivo" com a colaboração de um vigoroso grupo de jovens da época(Orlando de Souza, Clodomiro Moreira, José Olinto do Patrocínio, Luiz Afrânio de Avelar e a senhorita e professora Maria de Vasconcelos Moreira).
Em 1920 prestou assistência técnica na montagem da oficina do jornal " O mineiro", semanário editado pelo sr. José Morais.
Em janeiro de 1923 foi o responsável pela montagem da tipografia do jornal " O progresso", semanário fundado pelo saudoso jornalista Dr Orlando de Souza.
Deixou as atividade gráficas por algum tempo para trabalhar na Companhia Fabril Mascarenhas, até junho de 1924, quando se transferiu para Varginha, no Sul de Minas, ingressando nas oficinas do jornal "Arauto do Sul", onde permaneceu até 1926, quando foi convidado para assumir a chefia editorial do "Diário do Sul", em Três Corações - um dos primeiros jornais de circulação diária no interior de Minas, fundado e dirigido por Francisco Pizzolate e Dr. Fábio Pinto Coelho.

Revista Semana Ilustrada.
Naquela cidade tricordiana lançou em circulação, em 1927, o jornal humorístico "O CISNE", prestigiado pela juventude local. Atendendo convite do Advogado Dr. Francisco de Oliveira Naves, em 1927, rumou para Boa Esperança, assumindo a gerência do jornal "A esperança". Em 1928, procurando maior campo para suas atividades, rumou para Belo Horizonte, ingressando como repórter e revisor no Estado de Minas, que então iniciava sua circulação, trabalhando também no "O horizonte", jornal mantido pela Cúria Metropolitana e que mais tarde se transformou no antigo " O Diário". Nessa época passou a colaborar na revista "SEMANA ILUSTRADA", publicação literária na qual despontava um brilhante grupo de jovens intelectuais mineiros tais como Milton Campos, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, João Dornas Filho, Moacir Andrade e outros, integrados no movimento modernista liderado por Graça Aranha. Em 1929, foi novamente convocado pelo Dr Oliveira Naves para retornar a Boa Esperança, ocasião em que assumiu a redação do semanário " A Esperança". Com a vitória da revolução de outubro de 1930, em 1931 transferiu-se para Três Pontas, cidade onde lançou em circulação o jornal "Folha do Sul", ao lado do Professor Teodósio Bandeira, tendo idealizado e conseguido com o jornalista Armando Nogueira, do Semanário "Sul Mineiro", formar no sul de minas, a primeira rede de semanários associados, que funcionou até 1932.

VIROU ATÉ TENENTE

Com a eclosão do Movimento revolucionário de 1932, em São Paulo, passou a prestar serviços, como jornalista, ao Departamento de Divulgação da Secretaria do Interior de Minas Gerais, atuando como repórter junto às tropas mineiras que constituíram as Brigadas Amaral e Lery, no Setor de Poços de Caldas. Comissionado no posto de 2º Tenente, atuou na vanguarda das tropas como Oficial de Ligação entre a Brigada Amaral e as tropas federais comandadas pelo General Jorge Pinheiro. Como jornalista e especialmente na qualidade de oficial comissionado da polícia mineira, após o término da revolução foi designado para exercer as funções de DELEGADO MILITAR na cidade paulista de São José do Rio Pardo. Recebido com manifestações de desagrado, conseguiu apaziguar os ânimos e, ao final da sua espinhosa missão, recebeu expressiva manifestação de solidariedade de toda a população civil da cidade através de calorosa mensagem endereçada ao alto comendo das Forças Mineiras, documento então encaminhado pelo Coronel Leryh Santos ao Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais.

RETORNO A ALVINÓPOLIS - VOCAÇÃO JORNALÍSTICA

Em 1933 retornou a Alvinópolis, iniciando suas atividades jornalísticas em fevereiro de 1934, quando lançou " O Popular", semanário noticioso e político, que atuou intensivamente na vida comunitária alvinopolense.
Em 1926, após a morte do Professor e Jornalista Pedro Policarpo Moreira, suspendeu a publicação do "O POPULAR" e assumiu a direção do "O Alvinópolis", cuja publicação estava interrompida. De 1941 a 1943 residiu em Nova Era e Itabira ( ambas tinham a denominação de Presidente Presidente Vargas), mantendo o semanário "O PRESIDENTE VARGAS", que deixou de circular em 1943. Naquelas cidades colaborou para a difusão do ensino e do esporte. Em Nova Era o jornal patrocinou a fundação do "COMERCIAL F CLUBE" em colaboração com o esportista Ilídio Costa( Diló) e em Itabira o jornal prestigiou a fundação do Aéreo Clube Local e do Vale do Rio Doce Esporte Clube, que depois tornou-se Valério Doce.

ELE FEZ DE TUDO EM ALVINÓPOLIS

Retornando a Alvinópolis em setembro de 1945, instalou na cidade a primeira agencia bancária do município, o Banco Crédito e Comércio de Minas Gerais. Em 1947 foi eleito vereador à Câmara Municipal, da qual foi secretário até o término no mandato. Em 1948, a convite do então prefeito Dr. Frederico Marques Álvares da Silva, assumiu as funções de secretário da prefeitura municipal, cargo no qual se aposentou em 1970 ( De 1936 a 1938 também atuou como Secretário da Prefeitura, afastando-se do cargo em 1939, para retornar em 1948). Exerceu por alguns anos as funções de Inspetor Escolar Municipal, tendo sido o idealizador e realizador, através da Prefeitura Municipal, do primeiro curso intensivo de férias para professoras rurais, com apoio do Prefeito da época. O curso foi depois oficializado pelo Governador Milton campos, que o adotou no Estado. Foi um dos principais fundadores da Associação Rural de Alvinópolis, cuja Secretaria Geral exerceu durante 12 anos, período em que se realizaram 12 exposições agropecuárias com a colaboração efetiva de todos os lavradores. Foi ainda, o primeiro a se bater pela introdução da Fecundação do gado leiteiro, medida alcançada com o apoio do Dr Gustavo do Vale, Veterinário da Secretaria de Agricultura, que aqui instalou o primeiro posto de inseminação artificial da região. Tornou-se prática rotineira para os pecuaristas mais avançados. O resultado é que produção leiteira de Alvinópolis se consolidou e a cidade tornou-se polo.
Construiu o Alvinopolense FC
Foi presidente do Alvinopolense Futebol Clube, em cuja gestão foi construída a sede atual do clube, ampliada em administrações posteriores. A convite e por designação dos Juízes de Direito da comarca, atuou no forum de Alvinópolis como defensor em inúmeros processos, logrando sempre sentenças favoráveis aos réus cujas causas lhe eram confiadas. Por designação do Governador do Estado, exerceu as funções de Promoter de Justiça Interino da Comarca, durante alguns períodos de licença dos titulares. Foi diretor da Coorporação Musical Santo Antônio durante vários anos. Como amador, cooperou intensamente com os grupos de amadores do município, em festivais sempre beneficentes, a favor das obras sociais da comunidade. No desempenho do mandato de vereador, conseguiu trazer para o município em 1950 o escritório da ACAR ( hoje Emater), que tem décadas de bons serviços prestados para o desenvolvimento rural. Foi também como vereador que conseguiu desviar o ramal ferroviário que estava sendo construído entre Nova Era e Dom Silvério, em 1949, com o total de 73 kms. O desvio por Alvinópolis não alteraria a quilometragem oficial.  Infelizmente houve uma mudança nos planos dos governos que pararam de investir em ferrovias.

MAS  O SEU GRANDE LEGADO FOI NA EDUCAÇÃO...

O Colégio funcionou por um tempo no prédio da Câmara 
O seu amor maior a terra natal, levou-o em 1950 a peregrinar pelos gabinetes ministeriais e conseguiu , como desejava, a devida autorização para instalar, em Alvinópolis, então carente de um estabelecimento escolar de grau médio, a Escola técnica de Comércio PROFESSOR CÂNDIDO GOMES, hoje Escola Estadual de 1°e2º graus, completando sua saga a favor do ensino e da cultura da juventude Alvinopolense.


ALVINÓPOLIS EM REVISTA, SUA DESPEDIDA.

Os filhos de José Faustino e o grande Nilo Gomes. 
Já residindo em Belo Horizonte, elaborou os artigos para a obra ALVINÓPOLIS EM REVISTA - Edição especial, exaltando seu amor à terra natal, obra que ele não chegou a concluir, mas que foi publicada graças ao empenho dos amigos e colaboradores. A morte o surpreendeu no dia 24 de dezembro de 1981. Nesta triste manhã do dia de natal Alvinópolis recebeu a triste notícia do falecimento desse Alvinopolense que tanto lutou pelo seu engrandecimento. Os principais  jornais, revistas, emissoras de rádio e tv noticiaram. Além de todo o legado físico, José Faustino deixou  uma família unida, que honra a sua trajetória de amor por Alvinópolis.    


ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA


Falta a cidade de Alvinópolis reconhecer o valor desse homem notável. Quem sabe com uma  uma estátua em ponto de visibilidade na cidade ou mesmo uma rua com seu nome, onde as pessoas circulem e possam dizer com orgulho: essa rua é uma homenagem a um alvinopolense brilhante, que fez a diferença para o futuro de tantas pessoas e tantas famílias, um Alvinopolense de imenso valor.