quarta-feira, 14 de março de 2018

MANOEL PUIG, O HOMEM QUE FEZ ALVINÓPOLIS VOAR

Puig e sua amada Ritinha

MANOEL PUIG foi um empresário notável, figura fundamental na história recente do município. Seus sonhos e realizações fizeram a diferença na geografia da cidade. Ele fez o campo de aviação, levou empresa de taxi aéreo para Alvinópolis, projetou e executou projeto da praça bias fortes, construiu o Cine Alhambra, foi comerciante, importador, foi jogador e presidente do Alvinopolense, gerente de banco, um empreendedor nato que proporcionou à nossa cidade um verdadeiro salto no futuro. Foi um verdadeiro motor de desenvolvimento, um workaholic  multitarefas que colocou Alvinópolis no mapa aéreo nacional. Puig nasceu no ano de 1916 em São Paulo e veio para Alvinópolis na década de 30 a convite do Tenente Manuel de Araújo Porto, interventor do município, para exercer a função de Coletor de Impostos. Em Alvinópolis, apaixonou-se pela jovem Rita Isabel Turrer com quem se casou em 1940 e tiveram 10 filhos. No ano de 1955, o casal que tinha a mesma idade (39 anos) falecia em um acidente aéreo próximo a Caeté.

Alguns Alvinopolenses que vivenciaram essa época e conviveram com Puig nos deram depoimentos muito interessantes.

MAURO SÉRVULO SOBRE O CAMPO DE AVIAÇÃO.


Na década de 50, Manoel Puig, homem de muita visão, com o apoio da Prefeitura de Alvinópolis, construiu o nosso campo de aviação.  Concluída a pista de pouso, PUIG conseguiu que a empresa de aviação de BH, AERO SITA, da qual um dos sócios era o Comandante Jucá, incluísse Alvinópolis na rota dos vôos regulares (diários), entre Belo Horizonte, Alvinópolis, Manhuaçu e Manhumirim. O tempo de viagem entre BH e Alvinópolis era de aproximadamente 30 minutos. A venda das passagens era feita onde é hoje o Ninho da Águia. 
O escritório funcionava num pequeno cômodo, onde as passagens eram emitidas e mantidos contatos por rádio com a sede em Belo Horizonte. Durante um tempo fui agente da Aero Sita em Alvinópolis, indicado por José Américo da Costa Junior, também controlador de vôo.Outros controladores foram o Magela da Caixa e Lourenço irmão de Tatão.Quando chegavam passageiros ou encomendas, o comandante Lopes dava um rasante sobre o gaspar ( as mangas maduras da mangueira da casa de Augusta, caiam todas), avisando da chegada do avião.Era a senha pra enviar um taxi ao campo. Era comum também dar rasantes sobre o campo para espantar os bois que descansavam na pista.

MARIA CARVALHO E O ACIDENTE

Do que eu me lembro, depois do acidente os filhos do Puig e Ritinha foram levados para São Paulo pela família do Puig. Lembro-me do Luís, Mercedes, Norberto, Carmem Lúcia e outros menores. Os que citei foram do meu convÍvio enquanto crianças: Magda Lucia Rodrigues e Mariângela Rodrigues Repolês.

O VEREADOR RODRIGO SOARES PESQUISOU

Puig contruiu o predio p futura Caixa e residencia, porem não foi utilizada devido falecimento. Foi grande empresário do ramo dos eletrodomésticos, bicicletas e motos. Ajudou a fundar a linha aérea Uba/Ponte Nova/ Alvinópolis a Belo Horizonte. Dados conseguidos c o professor Jose Mauro de Figueiredo.

JOSÉ SYLVIO ESTAVA LÁ...

Puig tinha loja de eletrodomésticos, bicicletas, etc, na Rua 5 de Fevereiro, depois transferida para o Gaspar. Morou na casa que hoje é da família de D. Gelta. Acho que foi ele que construiu a casa. Foi gerente da Caixa Econômica Estadual, a agência era na Rua 5 de Fevereiro, onde hoje é a casa de Naná Schettini. Depois transferida para a casa onde hoje mora D. Jovita. Esta casa tem a primeira lage em curva da cidade, próxima do Cartório do Dr. Breno - novidade arquitetônica na cidade, na época. Era muito empreendedor, construiu o campo de aviação da cidade. Eram 2 companhias que faziam táxi aéreo de Belo Horizonte a Manhuaçu/Manhumirim/Ponte Nova, passando por Alvinópolis - Aerosita e OMTA (Organização mineira de transporte aéreo, batizada mais tarde de organização mineira de tombos aéreos porque seus aviões caiam muito). Puig nunca foi raizeiro, curandeiro etc (talvez a fama venha de seu trabalho no hospital, onde atendia as pessoas) Na sua época não havia televisão. Quem trouxe TV para Alvinópolis foi Nilo Gomes Vieira. O acidente com o Puig e D. Ritinha foi em 1953, num táxi aéreo para BH. Em 1945, ao final da segunda guerra mundial, eu morava na casa ao lado, onde hoje mora Conceição, e me lembro da alegria da Dona Ritinha empunhando a bandeira do Brasil e gritando "a guerra acabou". Seria cerca de 20 horas. Espoucaram foguetes, sinos das igrejas badalavam e até a banda saiu para as ruas. Foi um alvoroço na cidade. Poucas pessoas tinham rádio em Alvinópolis, uma delas era o Puig. Trouxe as primeiras máquinas pesadas (tratores) que atuaram por aqui. A primeira bicicleta que comprei foi na loja de Puig, paguei em 10 prestações sem juros... D. Ritinha era irmã de D. Maricas, mãe de Mariângela Repolês".

PEREIRA SANCHES LEMBRA MARCHINHA QUE EXALTAVA O PROGRESSO DA ÉPOCA..

Quem lembra dessa música :"Nós alvinópolense, temos a grandeza de nosso torrão, já temos recebido dos grandes homens proteção. Já nos deram a escola técnica e o lindo campo de avião. Podemos dar os parabéns, ao ilustre cidadão. Já podemos viajar diretamente a capital. Vejam só em que ponto está o progresso deste lugar" Foi no carnaval de 52. Saudoso Dico de João Luiz. 

DIVINO LINHARES LEMBRA O ARROJO EMPRESARIAL

Ele era muito a frente do tempo. Investidor importou certa vez uma quantidade muito grande de bicicletas holandesas marca Ciclone desmontadas, máquinas de costura, motocicletas, geladeiras a querosene para uso na zona rural. Onde não tinha eletricidade vendia em prestações. 2 de seus filhos foram meus colegas de escola primária. Ele fez o campo de aviação, chegava jornal diário de B.H voos diário pela Aero Sita. Era piloto também.

PRESSENTIMENTO

Eu ainda não estudava o primário, acho. Mas, lembro de D. Alódia com um jornal aberto, lágrimas caindo e minha mãe estava junto dela. No passeio da Escola. D. Alódia trabalhava no Bias Fortes . Lembro também ter ouvido um adulto dizer que : os pais foram se despedir dos filhos no horário de aula , pq iriam viajar naquele momento . Alguém disse : eles pressentiram ... foram ver os filhos pela última vez ( Maria das Graças Vieira Santiago)

O SENHOR NILO ERA AMIGO E ADMIRADOR 
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O Senhor Puig quando chegou a Alvinópolis, foi meu vizinho, morando em uma casa alugada entre a travessa do hospital e a travessa do jardim, em frente da casa do Sr Benvindo Caetano Machado.  Por ter conhecimentos específicos na área da saúde, o Sr Puig também trabalhava no Hospital, tendo como auxiliares o Dr José Micaré  e o Sr Antonio filho de Totó Filomena, capitaneados pelo grande Dr Mário França. E ele tratava todos do mesmo jeito. Ricos e pobres. Ele fez o projeto e executou a construção da Praça Bias Fortes. Ainda criança acompanhei o plantio da palmeiras imperiais, com a presença de inúmeras autoridades. Mas o tempo passou e nos tornamos  amigos. Eu tornei-me comerciante com loja no gaspar. Fui representante da RCA Victor e da Philips. Fiz muitas recuperações de máquinas de costura manuais e de pedal. O Sr Puig também tinha um comércio ao lado da Farmácia do Sr Dodô. Quando me casei ele me deu de presente  uma estadia no hotel sol americano em Belo Horizonte. Quando chegamos ao quarto encontramos uma linda corbelha de flores enviada por ele. Puig era uma pessoa de inteligência rara, muito trabalhador, amigo de todos e atencioso, principalmente com os mais pobres. Acompanhei a construção do campo de aviação antes de ser prefeito. 
Na ocasião fui eu quem tirei as fotografias da inauguração em que aparecem as autoridades municipais, o Prefeiro Dr Guaracy Vasconcelos. Monsenhor Bicalho, o delegado Neco Gomes e toda a diretoria da Cia Fabril Mascarenhas. As atividades no campo de aviação eram grandes. Grande parte da população viajava de avião. A única estrutura que existia era o local para venda de passagens com a placa AEROSITA, que ficava numa sala do lado, ao lado da Barbearia de Minó, ao lado da casa de José Faustino. No dia do acidente que tirou a vida de todos os passageiros, fui uma das pessoas a conversar com ele. Eu estava na oficina do grande marceneiro André Perez, quando Puig chegou e pediu seu débito.  O Sr André disse pra ele pagar quando retornasse. Puig saiu, foi ao grupo escolar, despediu-se dos filhos e pegou a esposa Dona Ritinha e foram para o aeroporto ( campo de aviação). O acidente aconteceu próximo a Caetés.Recebi a notícia da sua morte com muita tristeza. Fui ao funeral dele. Sua esposa Ritinha estava intacta, mas o corpo do Sr Puig estava desfigurado e não podia ser exposto. Depois do desastre com o Sr Puig a população ficou em choque e desistiu de voar de avião.  O Sr Manoel Antônio Puig foi um grande homem, merecendo grande respeito e admiração de todos os alvinopolenses.

CONCLUSÃO

Com o trágico acidente sumiram também os aviões. A comoção foi grande, assim como o medo da população de voar. Os parentes do Puig mudaram-se para outras cidades. Sua memória e seus feitos foram reconhecidos pelo Sr Nilo quando prefeito, que batizou o então nascente bairro com seu nome, surgindo assim a nossa querida Vila Manoel Puig. 
Houve também muita especulação sobre o acidente mas nem cabe comentar, pois o que ficou mesmo para a posteridade foi o legado, o exemplo de homem realizador, incansável, visionário, apaixonado por Alvinópolis. Por isso, embora nascido em São Paulo, podemos dizer que Manoel Antônio Puig foi um Alvinopolense de imenso valor.  

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