Esse camarada eu aprendi a respeitar. Ele é polêmico, multi-tarefas, está em muitos lugares ao mesmo tempo. Imagino que deve desagradar algumas pessoas, pois denuncia coisas que as pessoas naturalizam. Ele não suporta ver como as pessoas lidam com o lixo em Alvinópolis, fotografa e coloca na roda os sujões. É indignado com a falta de civilização de algumas pessoas, que parecem não enxergar a cidade como sua casa. Participa dos projetos CIDADE VERDE e CARIMBÓ, também é bom no marketing, um dos alvinopolenses mais presentes nas redes sociais. É proprietário da CONCENTRALFA, que se dedica a dedetizar e livrar os ambientes das pragas de todos os tipos. Além do mais é poeta inspirado, procura extrair a poesia do cotidiano, batalhando no momento para lançar o seu primeiro livro. Alfred Henrique é um Alvinopolense de valor.
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
sexta-feira, 21 de junho de 2019
JOÃOZIM
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| Joãozinho é um Alvinopolense de imenso valor. |
O nome dele é João Carlos de Souza Carvalho. Pra muitos, Joãozinho de
João de Vina ou só Joãozinho. Pra nós do Verde Terra, o nosso Gão. Pra mim uma
influência positiva,por colocar o coração em tudo que faz, pela capacidade de gestão, senso de organização, respeito com
o que é público, pela sensibilidade artística, por ter feito ótimos trabalhos
por onde passou, por ser um companheiro de cantoria, enfim. Só para terem uma
ideia da importância desse sujeito, ele fez pelo menos uns 10 festivais SOZINHO.
Ele dava conta de seu trabalho como secretário e ainda encontrava tempo de
organizar alguns dos melhores festivais de música que tivemos. O Festival deve
muito a ele. Foi ainda um dos fundadores de um dos maiores fenômenos do
carnaval alvinopolense que foi o BAG e com muito orgulho, presidente do
Alvinopolense. Também participou de
organização de shows, cavalgada e exposições no parque de exposições. Além do mais, é músico,
bombardinista preciso, cantor fundamental no vocal verdeterrano. Depois ainda
dirigiu por anos a Rádio Alternativa de João Monlevade, que ajudou a
estruturar, deixando como legado muitas melhorias na estrutura e amizades que
vão ficar para sempre. Hoje está aposentado e reside em João Monlevade, mas está sempre em
Alvinópolis, cidade do coração.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
ILDERALDO, O VIVALDO. MENINO BOM D'ORELHA.
Sua fala é feita de memórias, humor, prosa e poesia. Ele é Ilderaldo, o Vivaldo, o poeta sanão, menino excelso que transborda poesia. Ele lançou diversos livros e é daqueles sujeitos que vive poesia 24 horas, que recita frases e poetisa naturalmente, pela vida à fora. Todo encontro com Ilderaldo é certeza de muito humor e amor pela vida. Ele conta casos incríveis que realmente aconteceram. Dariam excelentes livros ou até curtas. Ilderaldo tem o dom de mixar fantasia com realidade, no que se entende como realismo fantástico. Por exemplo, teve uma vez que ele chegou na república onde morávamos com o pé machucado. Ele contou que estava andando pela Pedro II, quando passou um caminhão e deixou cair uma lata de doce de leite de 5 kgs em seu pé. E ele realmente estava com uma lata de doce de leite amassada debaixo do braço. São muitos causos mirabolantes. Sempre foi pesquisador. Tem um acervo fantástico de CDs e vinis raros. Através dele conheci artistas desconhecidos, mas de altíssimo nível.
Ele é fi de zé meu fi, mestre do Prú Tchá. Pra quem não sabe, Prú Tchá é um grito de força que só existe em Alvinópolis, criado pelo seu pai zé meu fi. Mas fazer prú tchá do jeito certo requer técnica. Quem quiser fazer um curso de prú tchá, tem de falar com Ilderaldo.Tive a sorte de conviver muito tempo com ele e de ser seu amigo. Menino ótimo d'orelha. Tamos juntos, vivos e operantes!sábado, 9 de junho de 2018
TIOS MUSICAIS
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| Dois tios meus em ação: Tutuia e Babucho |
FAMÍLIA MUSICAL
Minha família por parte do meu pai é muito musical.Desta vez eu vou pedir licença pra falar de 4 tios que
ajudaram a moldar a minha músicalidade.
TIBABUCHO
O primeiro deles é meu tio Babucho. Era conhecido como
grande cavaquinista; Era músico intuitivo, desses que toca tudo de ouvido.
Ouvia a música uma vez só e já tocava a música inteira. Também sabia improvisar. Era sentir a linha
da música e acompanhar usando cavaquim base ou solo. Também tocava violão muito
bem, principalmente samba, chorinho e seresta. A primeira música que fiz na
vida tive de recorrer a ele. Influenciado pelo festival de música que nascia na
cidade, criei um samba chamado "Venha". Fui até a barbearia dele com um velho
gravador k7 do meu pai, mostrei a
melodia e ele criou um violão maravilhoso ali na hora. Com essa gravação fiz
inscrição em meu primeiro festival. Pena que não tenho mais essa gravação.
TITÚIA
Meu tio tutuia também foi uma forte influência por uma razão
muito simples: por causa do Baião. Meu tio era fã e divulgador da obra do
grande Luiz Gonzaga. Cantava todas as músicas. O curioso é que na época, os
baiões eram bem aceitos nos bailes. Ele tinha um repertório vasto. Em sua casa
sempre tinha uma banda ensaiando também, com suas guitarras, baixos, baterias e teclados.
Ricardo sempre na bateria, mandando ver. Serginho também por perto. Lembro-me
muito de Neguinho também. Mas a parte do Baião era com o Titúia. Outra coisa
que não me esqueço é que ele foi a primeira pessoa que conheci na vida que se
sensibilizava com a causa dos negros, que foram tão mal tratados no Brasil na
época da escravidão. Tive a oportunidade
de interpretar uma música dele num festival que falava sobre isso.
TITONE
Meu pai, conhecido na cidade como Tony Anemia, era chamado
pelos sobrinhos de Titone. Sempre adorou
música também e tem o vício do assovio. Assovia o dia inteiro até hoje. Com
ele conheci a beleza dos boleros de Bienvenido Granda, Trio Los Panchos, Romanticos de Cuba, também das orquestras de
Billy Vhogan, Paul Mauriat, Green Miller,
os tangos imortais, além da MPB. Tenho uma imagem muito forte na
memória, de um dia em que chegou em casa com um toca-discos portátil. Aquela
era uma máquina fantástica. Ele comprou vários discos e tinha um em especial: o
disco "CONSTRUÇÃO" de Chico Buarque de Holanda. Quando ele colocou
pra tocar, em princípio tive um estranhamento. Achei a voz, sei lá, de
nhem-nhem-nhem. Mas ele adorava e punha pra tocar direto. Acabei ficando
viciado também. Depois vieram Gal Costa, Maria Betânia, Roberto Carlos e um tal
de Raul Seixas.
TIJOÃO DE VINA
João Divina gostava de tocar bandolim. Ele tinha sua
barbearia, que manteve por anos a fio. Sempre de tardezinha, quando o horizonte
já começava a ficar dourado, ele pegava seu bandolim, ligava na caixa de som e
tocava as músicas mais lindas do cancioneiro brasileiro. E tocava sem
acompanhamento nenhum. Era ele e o bandolim.
E o ar se enchia com aquele som divino, tocado com muito sentimento.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
JOSÉ FAUSTINO GOMES, GRANDE JORNALISTA E PAI DA EDUCAÇÃO EM ALVINÓPOIS
Há personagens que são lembrados pelas obras físicas, pelas pontes,
hospitais, ruas e estradas que construíram. Há também os poetas, os artistas e escritores,
que deixam relevante legado artístico e por isso são lembrados. Mas fundamentais mesmo são os nossos educadores, reais construtores da nossa cidadania.E
quanto a gente pensa em educação, o nome que nos vem à cabeça é o de José
Faustino Gomes. Filho de Cândido Gomes, um educador pioneiro, José Faustino
abraçou as bandeiras do jornalismo e da educação.Como jornalista atuou como
repórter, redator, contato comercial, tipografo, chefiou redações, ajudou a
fundar diversos jornais em Minas Gerais e fundou a primeira rede de jornais
associados em Minas. Como educador, foi responsável por uma verdadeira
revolução educacional em Alvinópolis. Em sua trajetória, trabalhou incansavelmente para que Alvinópolis tivesse uma educação de qualidade. Fez um
trabalho de paciência, arrebanhando alunos onde estivessem, convencendo os pais
sobre a importância de colocarem os jovens na escola. Nesse meio tempo,
enfrentou o preconceito de parte da sociedade, que preferia enviar estudantes
para Ponte Nova, que deixá-los estudar em Alvinópolis. Perseverou no sonho e venceu.
Alvinópolis conseguiu ter uma educação de segundo grau invejável, graças
ao esforço desse grande fantástico Alvinopolense .
Depoimento Sr Nilo Gomes
BIOGRAFIA
Depoimento do Professor José Mauro
"Eu devo muito a José Faustino. Foi por causa dele que pude estudar
e me tornar professor. Eu era morador de Fonseca, nem pensava em estudar, levava
uma vida simples e não me preocupava com o futuro. José Faustino esteve lá em casa,
conversou com meu pai e me levou pra escola. E ele não aceitava não como resposta e nem dificuldade. Eu precisaria de reforço de português e Matemática. Ele ajeitou um
farmacêutico que morava em Fonseca pra me dar aulas. Assim eu me mudei pra
sede do município, onde estudei e depois vim a me tornar professor e a construir minha vida. Ele fez
isso com centenas, com milhares de Alvinopolenses. Balançou toda uma geração
gerando ótimos profissionais e melhorando o nível intelectual da cidade. Foi
empreendedor nato, trabalhou muito, criou sua família na honestidade e não
enriqueceu com isso nem se tornou um homem de posses.
DEPOIMENTO DE DAVID CORREA
Há algumas dezenas de anos
atrás, Modestino me disse bastante emocionado, que minha mãe D. Alódia ao
passar defronte à sua casa, viu D. Castevilla chorando. Perguntada, ela
respondeu que teria que retirar todos os seus filhos do Colégio "Cândido
Gomes", pois não tinham, ela e o Modesto, condições de arcar com as
mensalidades, afinal, eram muitos filhos. Mamãe disse a ela: - Espere aqui um pouquinho. Daí a uns dez
minutos ela voltou acompanhada do José Faustino Gomes que a tranquilizou
dizendo: - Seus filhos não mais pagarão nem um tostão até se
formarem. Assim era o José Faustino. Me lembro de uma passagem inesquecível.
Ele promovia, de vez em quando, diversos sorteios de brindes. Eu tinha 13 anos.
Ele pediu-me que eu segurasse o frango para efetuar o sorteio. Disse: -
Atenção! O número sorteado é o 14! Era o meu número! Entreguei o comprovante e
já saí correndo para minha casa a fim de saborearmos, junto com a família. José
Faustino me lembra os versos de Paulo César Pinheiro" Se eu fosse Deus, a
vida bem que melhorava. Se eu fosse Deus, daria aos que não tem nada". Foi
responsável por melhorar a vida de todos que estudaram no Colégio por ele
fundado. Nos anos 1950 aquelas centenas de pessoas, os milhares de descendentes
tiveram suas vidas direcionadas a um futuro promissor. Ele deixou um raio
luminoso que nunca será esquecido.
Depoimento do Zózimo
A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO PROF. CÂNDIDO GOMES funcionava nas instalações do Grupo Escolar Bias Fortes. Instalações que já faziam parte da minha infância, resolveram voltar na adolescência/juventude. E não houve intervalo de tempo. Passou a existir uma diferença no espírito quanto à maneira de encarar a coisa. No tempo do Grupo, era sem preocupação pois não tínhamos informações suficientes para tanto. Agora, porém, ouvíamos novas nomenclaturas que passariam a, em termos, preocupar: concorrência, mercado de trabalho, continuidade de estudos, testes vocacionais, vestibulares, etc.
Depoimento do Zózimo
A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO PROF. CÂNDIDO GOMES funcionava nas instalações do Grupo Escolar Bias Fortes. Instalações que já faziam parte da minha infância, resolveram voltar na adolescência/juventude. E não houve intervalo de tempo. Passou a existir uma diferença no espírito quanto à maneira de encarar a coisa. No tempo do Grupo, era sem preocupação pois não tínhamos informações suficientes para tanto. Agora, porém, ouvíamos novas nomenclaturas que passariam a, em termos, preocupar: concorrência, mercado de trabalho, continuidade de estudos, testes vocacionais, vestibulares, etc.
Realmente, quem falar que ouvira estas expressões no tempo de Grupo, está enganado ou mentindo. No entanto, posso afirmar, o novo ambiente era de esperança, alegre, sadio, construtivo. Professores de espírito altamente idealista, pessoas que, não obstante o cansaço da jornada diária de trabalho, se dispunham a renunciar ao aconchego da família para ir passar para nós um pouco do muito que sabiam. E não se limitavam à função precípua de fundar, manter e lecionar. Desenvolviam outra função que era “catequizar”. Sim. Catequização de pais e filhos, aqueles instruindo, estes recebendo instruções de que estudar era bobagem. “Fulano, filho de Beltrano nunca estudou, foi para fora e ganha uma fábula”, como se dinheiro representasse o valor maior da vida, ou como se uns três salários-mínimos representassem uma fábula.
Certa vez estava fazendo caminhada na rodovia, junto com o Magela. Conversa vai, conversa vem, ele disse-me que um dia, chegando em casa, viu o Sr. José Faustino, na cozinha de sua casa, tentando convencer à Dona Anita de que todos os filhos deveriam matricular-se no Colégio. Ao argumento dela de que a renda familiar não comportaria tal compromisso, ele retrucou: “Não há problema. Eles entram na condição de bolsistas”. E a bolsa de estudos, lá, não era igual a que conhecemos, que exige cópia do contra-cheque, atestado de residência, atestado de pobreza, compromisso de ressarcimento, etc. Simplesmente, na frente do nome do aluno que constava na ficha de matrícula, ele escrevia a palavra “bolsista” (às vezes, a lápis) e estava deferido o requerimento.
Aquilo era uma convenção para o Tesoureiro, na hora de emitir os carnês, simplesmente pular aquele nome. Decorridos exatos sete anos, aquele nome que antecedia a palavra “bolsista”, passava a constar numa lista colocada em cima de uma mesa bem no centro do palco do Cine Alhambra, onde iriam ser citados os nomes de mais alguns Técnicos em Contabilidade. Que pena que só agora em 2.006, após aposentar-me, resolvi ter a iniciativa de escrever este texto. Que pena que antes eu tinha a correria do dia-adia; que pena que eu só tinha folgas aos sábados e domingos e que teria que dedicar estes dias aos meus filhos que se privavam de mim toda a semana; que pena que eu não pude escrever este texto quando os fundadores do Colégio ainda eram vivos. Como seria bom eu pegar o primeiro exemplar, levar à casa o Sr. José Faustino entregar-lhe e dizer-lhe:
“ Quando, naquela época o senhor não poupava esforços pelos nossos futuros, nós não sabíamos avaliar a sua luta, nós éramos inibidos e não sabíamos falar nada além do trivial em roda de amigos; nós, às vezes, nem gostávamos da sua cara fechada, com a qual o senhor conseguia manter a ordem tão necessária então. Espero que agora o senhor veja o quão valorizamos e somos agradecidos pela garra que o senhor e seus companheiros de luta dedicaram a nosso favor.”
Depoimento Sr Nilo Gomes
José Faustino foi uma pessoa
notável, de rara inteligência, com grandes conhecimentos da língua
portuguesa, orador de primeiríssima qualidade e que versava tudo de improviso.
Foi ele quem levou a Escola Normal para Alvinópolis; o Colégio Comercial
Oficial de Alvinópolis; instalação do município no plano rodoviario do Estado,
pedido feito em 1988 ao Governador Israel Pinheiro. O Sr José Faustino foi
diretor dos colégios. Foi dele também o pedido feito ao Governador Magalhães
Pinto para a construção do Forum em Alvinópolis. Ele também fez pedido ao
Governador Magalhães Pinto para Instalação da Cemig em Alvinópolis e ao Dr.José
Bonifacio de Andrade para a instalação de cursos complementares na cidade e nos
distritos, no que foi atendido. Como jornalista, passou por varias
cidades do Sul de Minas, deixando a melhor impressão sobre a sua pessoa. Em
Alvinópolis, sua terra natal, atuou como secretário geral da prefeitura. Nós
tínhamos um time afinado e José Faustino era uma peça importante.Trabalhou na
Prefeitura como secretario e assessor técnico juntamente com o Dr. Mario França,
Dr. Frederico M. Álvares da Silva e seus auxiliares. Ele era uma
pessoa muito boa, que pautava suas ações nos conhecimentos que
adquiriu dos seus pais e antepassados. Era combativo na defesa de
suas causas, mas respeitava todas as pessoas, principalmente os mais pobres e
indefesos.
Depoimento José Santana de Vasconcelos.
José Faustino foi um sujeito
abnegado pela educação em Alvinópolis. Na época dele, conseguimos
criar o ginásio Estadual Anexo em Fonseca e Major. Santa Barbara não tinha.
Alvinópolis tinha curso técnico, primeiro e segundo grau estadual.
Foi uma grande conquista. Além da dedicação dele com o ensino, participava de
tudo que pudesse vir para melhorar a infra estrutura do município com benefícios
para o povo. Foi uma época muito progressista. José
Faustino era jornalista, falava e escrevia muito bem. Era muito, articulado e
persistente. Eu já tinha alguma influência política e fomos viabilizando as
coisas até conseguirmos construir o novo prédio do colégio, que com muita
justiça levou o nome de Cândido Gomes, pai do José Faustino.
BIOGRAFIA
José Faustino Gomes nasceu
em Alvinópolis, MG, aos 15 de dezembro de 1905, na antiga fazenda
"coati". Filho do Professor e
Jornalista José Cândido Gomes e de Da. Maria Angélica de Abreu Lima Gomes ,
ficou órfão de mãe aos 5 anos, perdendo o pai aos 13 anos de idade. Fez o curso primário na
cidade natal, iniciando o curso secundário no colégio "São Luis",
fundado e mantido por seu pai, estabelecimento de ensino que funcionou até
1918, encerrando suas atividades por motivo da morte de seu Diretor fundador.
TRAJETÓRIA COMO JORNALISTA
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| Arauto do Sul existe até hoje |
Em 1920 prestou assistência
técnica na montagem da oficina do jornal " O mineiro", semanário
editado pelo sr. José Morais.
Em janeiro de 1923 foi o
responsável pela montagem da tipografia do jornal " O progresso",
semanário fundado pelo saudoso jornalista Dr Orlando de Souza.
Deixou as atividade gráficas
por algum tempo para trabalhar na Companhia Fabril Mascarenhas, até junho de
1924, quando se transferiu para Varginha, no Sul de Minas, ingressando nas oficinas
do jornal "Arauto do Sul", onde permaneceu até 1926, quando foi
convidado para assumir a chefia editorial do "Diário do Sul", em Três
Corações - um dos primeiros jornais de circulação diária no interior de Minas,
fundado e dirigido por Francisco Pizzolate e Dr. Fábio Pinto Coelho.
![]() |
| Revista Semana Ilustrada. |
VIROU ATÉ TENENTE
Com a eclosão do Movimento
revolucionário de 1932, em São Paulo, passou a prestar serviços, como
jornalista, ao Departamento de Divulgação da Secretaria do Interior de Minas
Gerais, atuando como repórter junto às tropas mineiras que constituíram as
Brigadas Amaral e Lery, no Setor de Poços de Caldas. Comissionado no posto de 2º
Tenente, atuou na vanguarda das tropas como Oficial de Ligação entre a Brigada
Amaral e as tropas federais comandadas pelo General Jorge Pinheiro. Como jornalista e especialmente
na qualidade de oficial comissionado da polícia mineira, após o término da
revolução foi designado para exercer as funções de DELEGADO MILITAR na cidade
paulista de São José do Rio Pardo. Recebido com manifestações de desagrado,
conseguiu apaziguar os ânimos e, ao final da sua espinhosa missão, recebeu
expressiva manifestação de solidariedade de toda a população civil da cidade
através de calorosa mensagem endereçada ao alto comendo das Forças Mineiras,
documento então encaminhado pelo Coronel Leryh Santos ao Estado Maior da Polícia
Militar de Minas Gerais.
RETORNO A ALVINÓPOLIS -
VOCAÇÃO JORNALÍSTICA
Em 1933 retornou a
Alvinópolis, iniciando suas atividades jornalísticas em fevereiro de 1934, quando
lançou " O Popular", semanário noticioso e político, que atuou intensivamente
na vida comunitária alvinopolense.
Em 1926, após a morte do
Professor e Jornalista Pedro Policarpo Moreira, suspendeu a publicação do
"O POPULAR" e assumiu a direção do "O Alvinópolis", cuja
publicação estava interrompida. De 1941 a 1943 residiu em Nova
Era e Itabira ( ambas tinham a denominação de Presidente Presidente Vargas),
mantendo o semanário "O PRESIDENTE VARGAS", que deixou de circular em
1943. Naquelas cidades colaborou
para a difusão do ensino e do esporte. Em Nova Era o jornal patrocinou a
fundação do "COMERCIAL F CLUBE" em colaboração com o esportista
Ilídio Costa( Diló) e em Itabira o jornal prestigiou a fundação do Aéreo Clube
Local e do Vale do Rio Doce Esporte Clube, que depois tornou-se Valério Doce.
ELE FEZ DE TUDO EM
ALVINÓPOLIS
Retornando a Alvinópolis em
setembro de 1945, instalou na cidade a primeira agencia bancária do município,
o Banco Crédito e Comércio de Minas Gerais. Em 1947 foi eleito vereador
à Câmara Municipal, da qual foi secretário até o término no mandato. Em 1948, a convite do então prefeito
Dr. Frederico Marques Álvares da Silva, assumiu as funções de secretário da
prefeitura municipal, cargo no qual se aposentou em 1970 ( De 1936 a 1938
também atuou como Secretário da Prefeitura, afastando-se do cargo em 1939, para
retornar em 1948). Exerceu por alguns anos as
funções de Inspetor Escolar Municipal, tendo sido o idealizador e realizador,
através da Prefeitura Municipal, do primeiro curso intensivo de férias para
professoras rurais, com apoio do Prefeito da época. O curso foi depois
oficializado pelo Governador Milton campos, que o adotou no Estado. Foi um dos principais
fundadores da Associação Rural de Alvinópolis, cuja Secretaria Geral exerceu
durante 12 anos, período em que se realizaram 12 exposições agropecuárias com a
colaboração efetiva de todos os lavradores. Foi ainda, o primeiro a se bater
pela introdução da Fecundação do gado leiteiro, medida alcançada com o apoio do
Dr Gustavo do Vale, Veterinário da Secretaria de Agricultura, que aqui instalou
o primeiro posto de inseminação artificial da região. Tornou-se prática
rotineira para os pecuaristas mais avançados. O resultado é que produção
leiteira de Alvinópolis se consolidou e a cidade tornou-se polo.
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| Construiu o Alvinopolense FC |
MAS O SEU
GRANDE LEGADO FOI NA EDUCAÇÃO...
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| O Colégio funcionou por um tempo no prédio da Câmara |
ALVINÓPOLIS EM REVISTA, SUA DESPEDIDA.
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| Os filhos de José Faustino e o grande Nilo Gomes. |
ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA
Falta a cidade de Alvinópolis reconhecer o valor desse homem notável. Quem sabe com uma uma estátua em ponto de
visibilidade na cidade ou mesmo uma rua com seu nome, onde as pessoas circulem e possam dizer com orgulho: essa rua é uma homenagem a um alvinopolense brilhante, que fez a diferença para o futuro de tantas pessoas e tantas famílias, um Alvinopolense de imenso valor.
quarta-feira, 14 de março de 2018
MANOEL PUIG, O HOMEM QUE FEZ ALVINÓPOLIS VOAR
![]() |
| Puig e sua amada Ritinha |
MANOEL PUIG foi um empresário notável, figura fundamental na história
recente do município. Seus sonhos e realizações fizeram a diferença na
geografia da cidade. Ele foi ajudou a projetar o campo de aviação, levou empresa de taxi aéreo para
Alvinópolis, projetou e executou projeto da praça bias fortes, construiu o Cine
Alhambra, foi comerciante, importador, foi jogador e presidente do
Alvinopolense, gerente de banco, um
empreendedor nato que proporcionou à nossa cidade um verdadeiro salto no
futuro. Foi um verdadeiro motor de desenvolvimento, um workaholic multitarefas que colocou Alvinópolis no mapa
aéreo nacional. Puig nasceu no ano de 1916 em São Paulo e veio para Alvinópolis na
década de 30 a convite do Tenente Manuel de Araújo Porto, interventor do
município, para exercer a função de Coletor de Impostos. Em Alvinópolis,
apaixonou-se pela jovem Rita Isabel Turrer com quem se casou em 1940 e tiveram
10 filhos. No ano de 1955, o casal que tinha
a mesma idade (39 anos) falecia em um acidente aéreo próximo a Caeté.
Alguns Alvinopolenses que vivenciaram essa época e conviveram com Puig
nos deram depoimentos muito interessantes.
MAURO SÉRVULO SOBRE O
CAMPO DE AVIAÇÃO.
Na década de 50, Manoel Puig, homem de muita visão, com o apoio da
Prefeitura de Alvinópolis, construiu o nosso campo de aviação. Concluída a pista de pouso, PUIG conseguiu que
a empresa de aviação de BH, AERO SITA, da qual um dos sócios era o Comandante
Jucá, incluísse Alvinópolis na rota dos vôos regulares (diários), entre Belo
Horizonte, Alvinópolis, Manhuaçu e Manhumirim. O tempo de viagem entre BH e
Alvinópolis era de aproximadamente 30 minutos. A venda das passagens era feita
onde é hoje o Ninho da Águia.
O escritório funcionava num pequeno cômodo, onde
as passagens eram emitidas e mantidos contatos por rádio com a sede em Belo
Horizonte. Durante um tempo fui agente da Aero Sita em Alvinópolis, indicado
por José Américo da Costa Junior, também controlador de vôo.Outros
controladores foram o Magela da Caixa e Lourenço irmão de Tatão.Quando chegavam
passageiros ou encomendas, o comandante Lopes dava um rasante sobre o gaspar (
as mangas maduras da mangueira da casa de Augusta, caiam todas), avisando da
chegada do avião.Era a senha pra enviar um taxi ao campo. Era comum também dar
rasantes sobre o campo para espantar os bois que descansavam na pista.
MARIA CARVALHO E O ACIDENTE
Do que eu me
lembro, depois do acidente os filhos do Puig e Ritinha foram levados para São
Paulo pela família do Puig. Lembro-me do Luís, Mercedes, Norberto, Carmem Lúcia
e outros menores. Os que citei foram do meu convÍvio enquanto crianças: Magda
Lucia Rodrigues e Mariângela Rodrigues Repolês.
O VEREADOR RODRIGO SOARES PESQUISOU
Puig contruiu o predio p futura Caixa e residencia, porem não foi utilizada
devido falecimento. Foi grande empresário do ramo dos eletrodomésticos,
bicicletas e motos. Ajudou a fundar a linha aérea Uba/Ponte Nova/ Alvinópolis a
Belo Horizonte. Dados conseguidos c o professor Jose Mauro de Figueiredo.
JOSÉ SYLVIO ESTAVA LÁ...
Puig tinha loja de eletrodomésticos, bicicletas, etc, na Rua 5 de
Fevereiro, depois transferida para o Gaspar. Morou na casa que hoje é da
família de D. Gelta. Acho que foi ele que construiu a casa. Foi gerente da
Caixa Econômica Estadual, a agência era na Rua 5 de Fevereiro, onde hoje é a
casa de Naná Schettini. Depois transferida para a casa onde hoje mora D.
Jovita. Esta casa tem a primeira lage em curva da cidade, próxima do Cartório
do Dr. Breno - novidade arquitetônica na cidade, na época. Era muito
empreendedor, construiu o campo de aviação da cidade. Eram 2 companhias que
faziam táxi aéreo de Belo Horizonte a Manhuaçu/Manhumirim/Ponte Nova, passando
por Alvinópolis - Aerosita e OMTA (Organização mineira de transporte aéreo,
batizada mais tarde de organização mineira de tombos aéreos porque seus aviões
caiam muito). Puig nunca foi raizeiro, curandeiro etc (talvez a fama venha de seu
trabalho no hospital, onde atendia as pessoas) Na sua época não havia
televisão. Quem trouxe TV para Alvinópolis foi Nilo Gomes Vieira. O acidente
com o Puig e D. Ritinha foi em 1953, num táxi aéreo para BH. Em 1945, ao final
da segunda guerra mundial, eu morava na casa ao lado, onde hoje mora Conceição,
e me lembro da alegria da Dona Ritinha empunhando a bandeira do Brasil e
gritando "a guerra acabou". Seria cerca de 20 horas. Espoucaram
foguetes, sinos das igrejas badalavam e até a banda saiu para as ruas. Foi um
alvoroço na cidade. Poucas pessoas tinham rádio em Alvinópolis, uma delas era o
Puig. Trouxe as primeiras máquinas pesadas (tratores) que atuaram por aqui. A
primeira bicicleta que comprei foi na loja de Puig, paguei em 10 prestações sem
juros... D. Ritinha era irmã de D. Maricas, mãe de Mariângela Repolês".
PEREIRA SANCHES LEMBRA MARCHINHA QUE EXALTAVA O PROGRESSO DA ÉPOCA..
Quem lembra dessa música :"Nós alvinópolense, temos a grandeza
de nosso torrão, já temos recebido dos grandes homens proteção. Já nos deram a
escola técnica e o lindo campo de avião. Podemos dar os parabéns, ao ilustre cidadão. Já podemos viajar diretamente a capital.
Vejam só em que ponto está o progresso deste lugar" Foi no carnaval de 52.
Saudoso Dico de João Luiz.
DIVINO LINHARES LEMBRA O ARROJO EMPRESARIAL
Ele era muito a frente do tempo. Investidor importou certa vez
uma quantidade muito grande de bicicletas holandesas marca Ciclone desmontadas,
máquinas de costura, motocicletas, geladeiras a querosene para uso na zona
rural. Onde não tinha eletricidade vendia em prestações. 2 de seus filhos foram
meus colegas de escola primária. Ele fez o campo de aviação, chegava jornal diário de B.H voos diário
pela Aero Sita. Era piloto também.
PRESSENTIMENTO
Eu ainda não estudava o primário, acho. Mas, lembro de D. Alódia
com um jornal aberto, lágrimas caindo e minha mãe estava junto dela. No passeio
da Escola. D. Alódia trabalhava no Bias Fortes . Lembro também ter ouvido um
adulto dizer que : os pais foram se despedir dos filhos no horário de aula , pq
iriam viajar naquele momento . Alguém disse : eles pressentiram ... foram ver
os filhos pela última vez ( Maria das Graças Vieira Santiago)
O Senhor Puig quando chegou
a Alvinópolis, foi meu vizinho, morando em uma casa alugada entre a travessa do
hospital e a travessa do jardim, em frente da casa do Sr Benvindo Caetano
Machado. Por ter conhecimentos
específicos na área da saúde, o Sr Puig também trabalhava no Hospital, tendo
como auxiliares o Dr José Micaré e o Sr
Antonio filho de Totó Filomena, capitaneados pelo grande Dr Mário França. E ele
tratava todos do mesmo jeito. Ricos e pobres. Ele fez o projeto e executou a
construção da Praça Bias Fortes. Ainda criança acompanhei o plantio da
palmeiras imperiais, com a presença de inúmeras autoridades. Mas o tempo passou
e nos tornamos amigos. Eu tornei-me comerciante com loja no gaspar. Fui
representante da RCA Victor e da Philips. Fiz muitas recuperações de máquinas de costura manuais e de pedal. O Sr
Puig também tinha um comércio ao lado da Farmácia do Sr Dodô. Quando me casei
ele me deu de presente uma estadia no
hotel sol americano em Belo Horizonte. Quando chegamos ao quarto encontramos
uma linda corbelha de flores enviada por ele. Puig era uma pessoa de
inteligência rara, muito trabalhador, amigo de todos e atencioso,
principalmente com os mais pobres. Acompanhei a construção do campo de aviação
antes de ser prefeito.
Na ocasião fui eu quem tirei as fotografias da
inauguração em que aparecem as autoridades municipais, o Prefeiro Dr Guaracy
Vasconcelos. Monsenhor Bicalho, o delegado Neco Gomes e toda a diretoria da Cia
Fabril Mascarenhas. As atividades no campo de aviação eram grandes. Grande
parte da população viajava de avião. A única estrutura que existia era o local
para venda de passagens com a placa AEROSITA, que ficava numa sala do lado, ao
lado da Barbearia de Minó, ao lado da casa de José Faustino. No dia do acidente
que tirou a vida de todos os passageiros, fui uma das pessoas a conversar com
ele. Eu estava na oficina do grande marceneiro André Perez, quando Puig chegou
e pediu seu débito. O Sr André disse pra
ele pagar quando retornasse. Puig saiu, foi ao grupo escolar, despediu-se dos
filhos e pegou a esposa Dona Ritinha e foram para o aeroporto ( campo de
aviação). O acidente aconteceu próximo a Caetés.Recebi a notícia da sua morte
com muita tristeza. Fui ao funeral dele. Sua esposa Ritinha estava intacta, mas
o corpo do Sr Puig estava desfigurado e não podia ser exposto. Depois do
desastre com o Sr Puig a população ficou em choque e desistiu de voar de avião.
O Sr Manoel Antônio Puig foi um grande
homem, merecendo grande respeito e admiração de todos os alvinopolenses.
CONCLUSÃO
Com o trágico acidente sumiram também os aviões. A comoção foi grande, assim como o medo da população de voar. Os parentes do Puig mudaram-se para outras cidades. Sua memória e seus feitos foram reconhecidos pelo Sr Nilo quando prefeito, que batizou o então nascente bairro com seu nome, surgindo assim a nossa querida Vila Manoel Puig.
Houve também muita especulação sobre o acidente mas nem cabe comentar, pois o que ficou mesmo para a posteridade foi o legado, o exemplo de homem realizador, incansável, visionário, apaixonado por Alvinópolis. Por isso, embora nascido em São Paulo, podemos dizer que Manoel Antônio Puig foi um Alvinopolense de imenso valor.
domingo, 15 de outubro de 2017
VIVA DONA MARIÂNGELA!
Algumas pessoas nos ajudam a
formatar o que seremos no futuro. Tivemos professores e professoras incríveis em
Alvinópolis. Mas as professoras dos "grupos" é que pegavam a meninada
naquela fase em que as personalidades estavam se formando. E a minha turma no
grupo de cima foi muito privilegiada. Nossa professora foi Mariângela Rodrigues Repolês, a inesquecível
"Dona Mariângela". Ela não era uma professora tradicional. Na verdade
fugia aos padrões, era anarquista, ousada, desafiadora. O tempo inteiro tentava
nos sacudir e fazia de tudo para tornar mais divertido o ato de estudar. Pegava
músicas de cantores conhecidos e fazia paródias em sala de aula para nos falar
sobre assuntos sérios. E também nos incentivava a criar nossas canções. Posso
dizer que me tornei compositor por causa dela. Foi com ela que comecei a
esboçar minhas primeiras composições. Mas ela não ficava só na música. A Dona
Mariângela era fogo. Ela inventava moda o tempo inteiro pra manter a turma
motivada. Ela inventava peças de teatro, gincanas, brincadeiras, mas sem
nunca descuidar do conteúdo. Pelo contrário! Era didática pura. Só tirávamos notas boas e
aprendíamos brincando. Era uma bagunça
organizada, um caldeirão criativo que fez diferença na minha vida e de muita
gente. Depois que saímos do grupo e ingressamos no colégio, perdemos o
contato como alunos, mas tempos depois fui frequentar a casa dela de uma
maneira muito peculiar: tínhamos uma turma que adorava fazer serenatas pela
cidade e quando passávamos pela rua nova, sabem o que acontecia? Ela abria a
janela e chamava a gente pra sair do frio e cantar dentro de casa.Repolês saia
com a cara amassada, mas acabava tomando umas com a gente também. Difícil era
ir embora.
Dessa época nunca vamos nos esquecer de tomar cachaça de arroz, que
ela e Repolês trouxeram de uma viagem a Quito, no Equador. Subia 200 vezes mais rápido.Essa convivência só aumentava minha admiração por aquela pessoa que nunca
consegui parar de chamar de Dona Mariângela. Acho que foi a primeira pessoa
moderna que conheci, mulher de cabeça aberta, sem medo. Diferente das
mulheres da época, dizia o que tinha vontade, mas agia de uma forma tão bem
humorada que desarmava os espíritos mais tradicionais. Ela naquela época já manifestava
sua paixão pelo idioma espanhol e começava a escrever poesias na língua de
Cervantes. Com o tempo foi refinando sua escrita e tem um belo acervo de poesias, algumas publicadas em antologias, sites e jornais(falta um livro inteiro só com as obras dele). Hoje em dia ela se dedica a ensinar espanhol voluntariamente para
algumas pessoas e claro, do alto de sua sabedoria, zela pelas suas obras
maiores nessa terra, que são os filhos encaminhados (só pessoas de cucas
legais como os pais) e acho que deve ficar bem feliz quando fica sabendo que
seus alunos estão brilhando nesse mundo de Deus. Dona Mariângela é uma pessoa inesquecível, uma Alvinopolense de imenso valor.
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| A cachaça de Quito vinha nessa garrafa |
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